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Santarem, o qual continúa ainda hoje a ser Guarda Mór da Torre do Tombo, não obstante a sua residencia em París, onde aliás está prestando relevantissimos serviços á Sciencia, e á Nação Portugueza, como he bem sabido.

Em 1842 forão reunidas as obrigações de Chronista ás de Guarda Mór, com o accrescimo de 2008000 réis no ordenado. (Port. de 2 de Dezembro de 1842). Em 1833 foi extincto o Officio de Escrivão, sendo Gaspar Luiz de Moraes o ultimo que o exerceu.

Pela Portaria de 14 de Outubro de 1836 foi restabelecida a Aula de Diplomatica, com exercicio no Archivo, e nomeado para a regencia della o Official Maior, o Sr. José Manoel Aureliano Basto.

No que toca a organisação administrativa do Real Archivo, he mister ver o Decreto Regulamentar de 30 de Abril de 1823, Aviso de 10 de Fevereiro de 1827, Decreto de 21 de Setembro de 1833; Decreto de 16 de Junho de 1836; e Decreto Regulamentar de 1839.

Estado actual do Archivo. — Além de tudo quanto compunha o antigo Archivo, foi este notavelmente augmentado com a acquisição de innumeraveis papeis e livros das Repartições extinctas, e de Casas Religiosas, vindo destas ultimas varios Codices e Documentos importantissimos, e de grande antiguidade, como são algumas Biblias manuscriptas, a Biblia dos Jeronimos, o Atlas de Fernão Vaz Dourado, etc., e bem assim se creou uma Bibliotheca especial, contendo de quatro a cinco mil volumes, pela maior parte de Legislação, Historia, e Litteratura Portugueza.

Imprensa Nacional.

Por Alvará de 24 de Dezembro de 1768 foi creada uma officina Typographica, com o titulo de Impressão Regia. Nesse providente Alvará se lè a seguinte e muito judiciosa disposição:

=« Todas as obras, que se mandarem imprimir pela Directoria Geral dos Estudos; pela Universidade de Coimbra; pelo Real Collegio dos Nobres; e por outras quaesquer Communidades, ou Pessoas particulares, pagarão á Impressão os justos, e moderados preços, que forem regulados em Conferencia, sem attenção a grandes interesses; pois que o fim deste estabelecimento he o de animar as Letras, e levantar uma Impressão util ao publico pelas suas producções, e digna da Capital destes Rei

nos. »=

Aqui temos a data da creação do importantissimo Estabelecimento, que hoje se denomina « IMPRENSA NACIONAL); aqui temos igualmente bem caracterisada a mente do Legislador, o qual quiz que houvesse em Lisboa uma Officina Typographica, que se tornasse util e respeitavel pela perfeição dos caracteres, pela abundancia e aceio de suas impressões, e preço commodo das mesmas.

Deixaremos sem observações a historia da Imprensa Nacional, em quanto aos seus primeiros 76 annos de existencia, e marcaremos uma epocha, muito notavel e caracteristica para este Estabelecimento, no anno de 1844; nos principios do qual começou a dar-se emprego a novos maquinismos, apparelhos, e utensilios typographicos, applicados aos trabalhos da Imprensa, segundo os methodos e processos vistos e estudados em França, na Belgica e na Inglaterra.

Pela Portaria de 16 de Maio de 1843 foi 'o habil e muito intelligente Administrador da Imprensa Nacional, José Frederico Pereira Marecos, encarregado de ir ver e estudar aos paizes estrangeiros os processos mais aperfeiçoados da arte typographica; e bem assim de comprar os utensilios convenientes para se promoverem os possiveis melhoramentos da mesma Imprensa. Passou elle effectivamente a París, a Bruxellas e a Londres, e he muito de ponderar o que dizia no seu Relatorio de 10 de Janeiro de 1844:=«O estado actual da Typographia entre as Nações mais adiantadas faz uma tão grande differença do estado em que ella se acha entre nós, que a primeira vez que em París entrei n’uma Imprensa vi que tinha muito que aprender; e não me envergonharei de dizer, que os meus conhecimentos a este respeito eram mais imperfeitos do que eu pensava. »=Visitou os mais celebres estabelecimentos typographicos das Capitaes da França, da Belgica, e de Inglaterra; vio e aprendeu muito; e habilitou-se para introduzir na Imprensa Nacional de Lisboa novas maquinas, novos apparelhos, novos utensilios typographicos, e melhoramentos diversos.- Em Portaria de 18 de Março de 1844 se lhe disse, em nome da Soberana, que elle correspondêra completamente á confiança, que o Governo tinha depositado na sua intelligencia e probidade.- Os melhoramentos introduzidos na Imprensa Nacional, como resultado da missão e diligencias do habil e zeloso Administrador, forão consideraveis,

e esse Estabelecimento adquirio as proporções e desenvolvimento que lhe faltavão.

O babil e zeloso Administrador, de quem temos fallado, já desappareceu d'entre os vivos, no que a Nação soffreu grande perda, só attenuada pela feliz circumstancia de que aquelle foi substituido no mesmo cargo por seu digno Irmão, o sr. Firmo Augusto Pereira Marecos.

De um Relatorio deste ultimo tiramos as seguintes noticias.

=«A Imprensa Nacional não é só uma Officina Typographica, como parece definir a sua denominação: a Imprensa Nacional é um vasto Estabelecimento, onde se praticam diversas artes e officios. Aqui são feitas todas as cousas essencialmente necessarias á typographia. Fazem-se os punções; cravam-se e justificam-se as matrizes; fundem-se e justificam-se os typos, pelo systema de pontos, como está modernamente adoptado nos paizes mais adiantados na arte typographica; stereotypa-se qualquer composição typographica; reproduzem-se todas as vinhetas e ornamentos typographicos por meio de bellos apparelhos, e pelo mesmo methodo, que se usa em França e Inglaterra.–Os prelos de ferro que trabalham a braço fazem-se tambem na Imprensa Nacional; concertam-se e reparam-se os prelos mechanicos, e as differentes machinas de ferro que esta Casa possue, como a de vapor, a hydraulica, a de assetinar papel, a de moer tinta, e outras. Aqui se faz a tinta de diversas côres, e os rolos que a distribuem sobre as fòrmas. Nesta Casa, emfim, promptifica-se tudo de que carece a composição e impressão de uma rica e nitida edição.»=

=«Compõe-se, pois, a Imprensa Nacional de uma grande Officina Typographica, com vinte prelos de ferro movidos a braço, dois prelos mechanicos a vapor, com muitissimos quintaes de typo e aviamentos typographicos — uma Officina Lithographica, com quatro prelos magnificos, e grande numero de pedras lithographicas, quasi todas allemās, que são as melhores — uma Officina d'Estamparia, com bons torculos—uma Officina de Cartas de jogar-uma Officina de Gravura, onde se fazem os punções, e se grava em qualquer metal e em madeira-uma Officina de fundição de Typos —e uma Officina de Serralheria.)

=«...... acha-se esta Casa enriquecida com uma collecção de chapas abertas em cobre dos mais delicados desenhos, que podem considerar-se um primor de arte, sendo algumas gravadas pelo celebre Bartolozzi. Muitos punções, e um abundantissimo numero de matrizes d'elegantes typos, de vinhetas e ornatos typographicos, de muito gosto, fazem tambem consideravel parte da sua riqueza.»=

=a0 Edificio em que se acha a Imprensa Nacional, posto que não fosse construido para este fim, comtudo pelas obras que se lhe tem feito em diversos tempos, principalmente pelas que The fizera o meu fallecido irmão, meu antecessor, presta-se ao estabelecimento e funcções das suas Officinas, e pode considerar-se uma bella Casa, hoje muito aceada e em boa ordem, como é facil ver e examinar, porque é franca a sua entrada em todas as terças feiras.»=

=«Resta fallar do pessoal desta Casa, que em geral tem bons empregados, havendo entre elles alguns de muito merecimento; e para o provar basta dizer, que na Imprensa Nacional não ha hoje nenhum estrangeiro, achando-se, todavia, em pratica grande parte dos methodos por que a arte typographica tem chegado ao seu admiravel adiantamento nos paizes mais civilisados, sendo para isto necessario o concurso de machinas, e outros objectos nunca vistos em Portugal antes de meu irmão vir de França, que, honra á sua memoria, foi quem aqui introduziu esses methodos.»=

Faz muita honra ao Sr. Firmo Augusto Pereira Marecos a creação de uma especie de Monte Pio, ou Caixa de Soccorros, que o mesmo Sr. estabeleceu em 5 de Novembro de 1845, para acudir aos empregados daquella Casa com soccorros durante a doença, mediante a entrada de cada um com a pequena quantia de 60 réis semanaes, deduzida dos seus vencimentos.

Documentos a consultar acerca da Imprensa Nacional:

ALVARÁ de 24 de Dezembro de 1768.
RELATORIO E Contas do Cofre da Imprensa Nacional per-

tencentes aos annos de 1839 e 18440 Lisboa 1841. DIARIO DO GOVERNO, n.° 83 de 9 de Abril de 1844, onde

se encontra o Relatorio de 10 de Janeiro do mesmo anno. RELATORIO do Administrador Geral da Imprensa Nacional

Firmo Augusto Pereira Marecos, publicado no Diario do
Governo de 7 de Julho de 1849.

ORÇAMENTOS DO ESTADO.

Organisação actual dos estudos em Portugal.

Parece-me muito acertado apresentar uma breve resenha da organisação actual dos estudos em Portugal, visto como já dei noticia dos diversos Estabelecimentos Scientificos e Litterarios de outras epochas. A Historia Litteraria do nosso paiz não he indifferente este assumpto.-Note-se, porém, que só darei conta desta materia per summa capita, como quem só leva em vista apontar, e não desenvolver. He forçoso ser muito conciso, e limitar-me ás indicações mais genericas.

Dou a Portugal e as Ilhas Adjacentes a população de tres milhões e oitocentos mil habitantes; quatrocentos concelhos; quatro mil freguezias: -em numeros redondos.

A Divisão Administrativa, em Districtos, he a seguinte:

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