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« para que possão ter sua devida execução e vigor. E porque « tenho escolhido muitas pessoas, que pela sua Sciencia, e ou« tras qualidades hão-de formar este Corpo, e se hão-de nomear « outras até que fique o numero bastante para o fim, a que os « applico: ordeno que o presente Decreto na primeira Conferena cia, para que escolhi o dia de N. Senhora da Conceição, Pa- • «droeira dos Reynos, se lea na mesma Academia, e se registe « nos seus livros, e nas mais partes, em que for necessario, para «que conste, que a minha Real intenção he concorrer para o a augmento de huma Academia, de que espero resulte huma a Historia tão util, conservando-se as acções tão dignas de me« moria, que nestes Reynos se tem obrado no augmento do ser« viço de Deos, da Igreja Catholica, dos Reys meus predecesso« res, e meu. Lisboa Occidental a 8 de Dezembro de 1720. Com (a rubrica de S. M. (ElRei D. João 5.). »

A

pag. 55 da Historia da Academia Real da Historia Portugueza vem o Catalogo dos Academicos, e entre elles se encontrão os nomes de

D. Antonio Caetano de Sousa
Diogo Barbosa Machado
Francisco Leitão Ferreira
D. José Barbosa
D. Manoel Caetano de Sousa

D. Rafael Bluteau, e de outros que depois derão provas de grande applicação ás letras.

A pag. 312 vem um Decreto que faz muita honra á Academia e ao Sr. D. João v.--A Academia tinha representado a conveniencia de acautelar a destruição dos monumentos antigos, que havia, e se podião descobrir no Reino, dos tempos em que nelle dominárão os Fenicios, Gregos, Carthaginezes, Romanos, Godos, e Arabes; por lhe constar que muitos dos que pudérão existir nos Edificios, Estatuas, Marmores, Cippos, Laminas, Chapas, Medalhas etc. havião sido consummidos, perdendo-se assim um meio muito proprio para verificar muitas noticias da antiguidade, com prejuizo da gloria nacional. O Sr. D. João v fez baixar á Mesa do Desembargo do Paço, com data de 14 de Agosto de 1721, um Decreto, cuja parte dispositiva he concebida nos seguintes termos:

« Hey por bem, que daqui em diante nenhuma pessoa de

a qualquer estado, e condição que seja, desfaça, ou destrua em « todo, nem em parte qualquer Edificio, que mostre ser daquel« les tempos, ainda que em parte esteja arruinado, e da mesma « sorte as Estatuas, Marmores, e Cippos, em que estiverem es

culpidas algumas figuras, ou tiverem letreiros Fenices, Gregos, « Romanos, Gothicos, Arabios, ou Laminas, ou Chapas de qual« quer metal, que contiverem os ditos Letreiros, ou caracteres ; a como outrosim Medalhas, ou Moedas, que mostrarem ser d'a«quelles tempos, nem dos inferiores até ao reynado do Sr. Rey a D. Sebastião; nem encubrão, ou occultem alguma das sobre« ditas : e encarrego ás Cameras das Cidades, e Villas d'este Reyano, tenhão muito particular cuidado em conservar, e guardar

todas as antiguidades sobreditas, e de semelhante qualidade, « que houver ao presente, ou ao diante se descobrirem nos li« mites do seu destricto; e logo que se achar, ou descobrir ala guma de novo, darão conta ao Secretario da dita Academia «Real....... e se o que assim se achar, e descobrir novamente, a forem Laminas de metal, Chapas, ou Medalhas, que tiverem « figuras ou caracteres, ou outro sim Moedas de ouro, prata, co«bre, ou de qualquer outro metal, as poderão mandar comprar ao Director, e Censores do procedido da consinação, que Fui

servido dar para as despezas da dita Academia.» (Segue-se a comminação de penas contra os infractores, e depois se impõe ás camaras a obrigação de comprar aquelles objectos que alguem quizer vender, e os remettão á Academia).

COLLECÇÃO DOS DOCUMENTOS E MEMORIAS DA ACADEMIA

REAL DA HISTORIA PORTUGUZZA — 1721 a 1736.-15

Vol. Cada um dos Volumes da Collecção comprehende Noticias das Successivas Conferencias que fez a Academia; Orações que disserão os Directores; Elogios dos Academicos; algumas Dissertações sobre pontos da historia portugueza ; Praticas dos Academicos novamente admittidos.

Nas Conferencias davão os Academicos conta dos seus estudos, lião algumas producções, etc. Não he esta por certo a parte mais interessante da Collecção.

Na Conta que os Academicos davão de seus estudos, participavão á Academia a idéa, e o methodo, com que determinavão dispôr as suas obras, e propunhão muitas vezes alguma duvida importante, sobre a qual discorrião e pedião conselho para a resolverem com maior segurança, e declaravão quaes as noticias e documentos de que mais poderião necessitar.

As Praticas dos Academicos novamente admittidos, são, pela maior parte, elogios encarecidos e exagerados á Academia e ao seu Augusto Fundador. Daremos uma breve amostra-fieis ao pensamento que nos guia de não asseverar cousa alguma sem fundamento, para o que nos démos ao trabalho de examinar com os proprios olhos tudo o de que houvessemos de dar conta.

Fôra nomeado Academico o Doutor Joaquim Pereira da Silva Leal, para substituir o fallecido Conde de Assumar D. João de Almeida, e na Conferencia de 18 de Fevereiro de 1734 proferio o recem-nomeado a sua Pratica, na qual, entre outras cousas, lemos o seguinte:

=......... enxugo as lagrimas, e todo me quero occupar em agradecer-vos, Senhores, a felicidade, que me derão os vossos suffragios; e contemplar aquella Mesa do Sol, maravilhoso assombro da antiguidade, que na Ethiopia era sacrificio ao Deos Apollo, milagre tal d'aquelles tempos, que obrigou ao Emperador Severo a ir certificar-se com a vista de tão grande maravi

Tha....

Raro prodigio para a nossa admiração, se a não excedera, com notavel vantagem, a Mesa Censoria (discorro com figura Synedoche, a respeito de todo este Illustrissimo Lyceo) desta Real Academia; para cuja contemplação julgo necessario todo o estudo do meu profundo respeito, e os meus reverentes cultos na adoravel lembrança do sagrado Delio que a vivifica.He esta Mesa Censoria a Mesa do Sol, porque he vossa, Senhor, com vosco fallo, Invictissimo Semi-Deos, e Augustissimo Protector nosso..... Pois se dignou V. Magestade, Senhor, de fazer em mim verdadeira a fabula, que celebrarão de Castor, e Pollux os antigos, permittindo, que a immortalidade, que tinha hum irmão adquirido nesta Real Academia, n’ella mesma se participasse a outro, e alternando em ambos a gloria de apparecer neste hemisferio. De quantos brilhantes Astros lusírão no Firmamento Lusitano, só V. Magestade podia infundir com tal actividade as influencias do seu Supremo espirito, para se erigir esta nobilissima Academia, merecedora de eterna duração, e este Augustissimo Templo das Sciencias, todas participadas pelo immenso thesouro da alta providencia de V. Magestade, e communicadas por aquella preclara Mesa Censoria, em que melhor que na Mesa do Sol as iguarias, e nos celebrados Jardins das Hes

perides os pomos de ouro, se se tirão humas noticias, apparecem outras igualmente preciosas; o selecto dellas ainda na multidão conserva a singularidade, e a sua abundancia excede o dezejo de as exhaurir, sem que nunca menor numero, pela raridade, as possa fazer mais apeteciveis, porque ainda na copia innumeravel são tão excellentes, que sempre se conservão admiraveis.»=

As Orações são tambem empoladas, peccão pela maior parte nos mesmos defeitos que as Praticas. Para não citar muito, transcreverei apenas um trecho da que recitou o Padre D. Manoel Caetano de Sousa, na ultima conferencia do anno de 1723:

«Se estas Corðas se houvessem de formar de estrellas, já S. Magestade com esta piedosa profusão dos seus thesouros teria empobrecido de luzes o Firmamento animado incomparavelmente mais benefico. Tantas são as Corðas que tem merecido! As quaes entre os Romanos tiverão a mayor estimação, como testemunha Plinio na sua historia; (Plinius lib. 16. cap. 4.) e por isso sempre forão o mais digno ornato das cabeças dos Soberanos, como disse. Seneca: Nullum ornamentum Principis fastigio dignius, pulchriusque est, quàm illa corona ob cives servatos (Senec. lib. 1 de Clement. cap. 26.)»=

Vejamos agora quaes progressos fez a Academia Real da Historia Portugueza, e quaes serviços prestou ás nossas Letras. Aproveitaremos para esse fim a Memoria do Progresso dos Estudos Academicos, offerecida ao Sr. D. João V, no anno de 1734, pelo Conde da Ericeira, a qual vem na Collecção de tratando, e temos á vista.

O Conde da Ericeira faz primorosamente a resenha do contheudo da collecção da Academia, e vem a ser mais de 1500 Noticias do que se passou nas Conferencias; Contas dos estudos dos Academicos; Panegiricos; Orações; Elogios; Declarações dos Directores; Dissertações; Catalogos historicos; extractos criticos de livros raros manuscriptos, e impressos; documentos extrahidos dos melhores archivos, ou noticia delles; explicação de medalhas, inscripções e epitafios etc.; além dos Diplomas Regios, Estatutos, Decisões etc. relativos á Academia.

Passa depois a referir as composições Academicas que já estavão impressas, ou estavão para sahir á luz, devidas ao trabalho dos Academicos, ou á influencia da Academia, taes como:

que estamos

1.'- As antiguidades de Braga, em Latim e em Portuguez;

Memorias Ecclesiasticas, e Geographia antiga de Braga

pelo Padre D. Jeronimo Contador de Argote. 2.4 Memorias para a Historia d'El-Rei D. João 1 – por José

Soares da Silva. 3.'-—Memorias Ecclesiasticas do Bispado da Guarda— 1. parte

pelo Doutor Manoel Pereira da Silva Leal. 4.'— Historia de Malta - pelo Padre Fr. Lucas de Santa Ca

tharina. 5.°-Ordens Militares que houve em Portugal. 3 vol.-por Ale

xandre Ferreira. 6.–Vidas dos Bispos d'Elvas (Latim) pelo Marquez de Ale

grete, Fernào Telles da Silva. 7.–Uma parte da historia dos Romanos na Lusitania — pelo

Marquez de Fronteira. 8.'— Apparato da Disciplina Ecclesiastica deste Reino— por D.

Francisco de Almeida. 9.—Memorias d'El-Rei D. Sebastião— por Diogo Barbosa Ma

chado. 10.— Memorias para a Historia da Universidade de Coimbra

- por Francisco Leitão Ferreira.

(Andão na Collecção, e forão depois publicadas, avulsas,

com o titulo de Noticias Chronologicas etc.) 11.'— Catalogo Historico das Rainhas de Portugal — pelo Padre

José Barbosa. 12.:— Historia Genealogica da Casa Real de Portugal -e Pro

vas— pelo Padre D. Antonio Caetano de Sousa. 13.°— Diversos trabalhos do Padre D. Raphael Bluteau. 14.'— Vida do Infante D. Luiz-pelo Conde de Vimioso. 15.—Memorias d'El-Rei D. Duarte-por Martinho de Men

donça de Pina e Proença. 16. Vida do Condestavel D. Nuno Alvares Pereira.

E afora estas, outras muitas composições ha, que fòra extensa tarefa indicar, e podem ver-se na referida Memoria, d'onde igualmente constará a poderosa protecção que o Sr. D. João v prestou ás Letras, animando com generosos soccorros a publicação de dispendiosissimas obras.

Academia Real das Scienclas de Lisboa.

Fôra-nos muito grato consagrar longas paginas a commemo

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