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NA COLLECÇÃO DOS DOCUMENTOS E MEMORIAS DA ACADEMia Real DA HISTORIA PORTUGUEZA (anno de 1735) vem um tratado bibliographico, intitulado: BIBLIOTHECA SOUSANA, ou Catalogo das Obras que com

pôz... D. Manoel Caetano de Sousa... illustrado... com observações Academicas, e Filológicas pelo Conde da Ericeira, D. Francisco Xavier de Menezes.

As Memorias, que já citámos, de Fr. Fortunato de S. Boaventura, ácerca de Fr. Bernardo de Brito, e de Fr. Antonio Brandão, devem tambem ser consideradas como excellentes specimens de trabalhos bibliographicos, ainda que especiaes.- Em ambas as Memorias apresenta o Author uma noticia circumstanciada dos escriptos dos Chronistas de

que

trata.

BIBLIOTHECA LUSITANA ESCOLHIDA, ou CATALOGO DOS EsCRIPTORES PORTUGUEZES DE MELHOR NOTA QUANTO A LINGOAGEM COM A RELAÇÃO DE SUAS PRINCIPAES OBRAS COLLIGIDO DE DIVERSOS AUTHORES — por Jozé Augusto Salgado.- Porto. 1841.

Este Catalogo comprehende cento e doze Escriptores Portuguezes; e setenta e sete indicações de Livros sem nome de Author.

O author do Catalogo, pugnando pela excellencia da nossa lingua, deliberou-se a fazer uma escolha dos Escriptores Portuguezes, que, a seu ver, escreverão com maior apuro, e como Mestres e bons modelos devem ser propostos aos que pretenderem estudar a lingua portugueza.- author escreveu já depois de terem apparecido (desde muito tempo) os Catalogos da Academia Real das Sciencias, de Moraes, e de Bento José de Sousa Farinha; mas entendeu que essas collecções, alem de nimiamente extensas, não preenchem determinadamente o fim de satisfazer aos leitores, que só pureza e elegancia de linguagem tenhão em vista.- author considera como modelos de linguagem os nossos Escriptores do seculo xvi; não assim os do seculo seguinte, e muito menos os dos outros. Dos primeiros, diz que só omittíra aquelles de cujas obras não teve conhecimento; dos segundos, escusou muitos; dos outros, omittio o maior numero.Em quanto a edições, apontou somente as primeiras, ou as que são havidas por melhores.—Não se fez cargo das obras manuscriptas, nem tão pouco das compostas em idioma estranho por authores portuguezes.

Na especialidade que o author teve em vista, isto he, de apresentar a resenha dos nossos melhores escriptores, debaixo do ponto de vista da pureza e elegancia de linguagem,—he in-, teressante este Catalogo, maiormente se fôr examinado e confrontado com os da Academia Real das Sciencias.

Para desde já verem os Leitores o alcance das noticias do Catalogo, de que tratamos, transcreverei aqui a noticia relativa a Heitor Pinto:=«Fr. Heitor Pinto, natural da Covilhã ou de «Mello, Monge de S. Jeronimo, Lente de Escriptura na Univer«sidade, Provincial da Ordem, falleceu em 1584.-Imagem da «Vida Christã ordenada por dialogos. 1.' Parte. Coimbra por «Joham de Barreira 1563. 1 vol. 8.°—Segunda parte dos Dia«logos da Vida Christã. Lisboa por Joham de Barreira, á custa « de Joham Despanha 1572. 1 vol. 8.'»=

Todas as outras noticias são de igual concisão. --Seria por ventura muito mais interessante este trabalho especial, se contivesse uma breve indicação do particular merecimento litterario de cada Author,

MAPA GENEALOGICO, HISTORICO, CHRONOLOGICO, DIPLOMATICO E LITTERARIO DO REINO DE PORTUGAL E SEUS DOMINIOS ANTIGOS E MODERNOS. Impresso em París no anno de 1838.

Na parte litteraria traz um grande numero de catalogos muito interessantes, e bem ordenados, e são os seguintes: 1.0 Principaes Poemas Epicos (Portuguezes) com as datas das

primeiras Edições. 2.o Principaes Historiadores sobre Portugal:

-Historias Geraes.

-Historias Particulares. 3.° Historiadores Portuguezes principaes sobre o Brazil. 4.° Historiadores Portuguezes principaes sobre a India. 5.° Historiadores Portuguezes principaes sobre as outras Colo

nias e Conquistas. 6.° Escriptores (Portuguezes) mais notaveis, classificados segun

do as Epochas, do principio da Monarchia, até 1500: de 1500 até 1640: de 1640 até aos nossos dias: nas epochas, pelas sciencias sobre que escreverão; e nas sciencias, pela ordem alphabetica.

Não he possivel apresentar com maior clareza, e methodo, as noticias litterarias do nosso paiz, no que toca a serie de Escriptores notaveis, que sobre diversas materias têem composto obras interessantes,—do que o fizerão os authores do Mapa Genealogico, Historico, etc.

A fim, porém, de que se possa tirar todo o partido dessas noticias, e se obtenhão esclarecimentos seguros, he indispensavel confrontar os catalogos do Mapa com os que forão reproduzidos em diversos Numeros do Jornal Litterario Portuguez=0 Recreio=, no tomo 5.° Em quanto a datas, todo o escrupulo he pouco. No Recreio dá-se a primeira edição do Segundo Cerco de Diu, de Jeronimo Corte Real, em 1672; nesta parte he mais exacto o Mapa, dando-a em 1574. E com effeito, eis aqui o que se lè no titulo desse poema, na 1.9 edição: Successo do segundo Cerco de Diu: estando Dom Joham Mazcarenhas por Capilam da Fortaleza. Anno de 1546. 4. No fim: Impresso em Lisboa por Antonio Gonçalves impressor anno de 1574.- Depois de confrontados com o Recreio, he mister recorrer ao Calalogo do Diccionario da Academiu, e á Bibliotheca Lusitana de Diogo Barbosa Machado.

-Entre os manuscriptos de Antonio Ribeiro dos Santos ha dous volumes, com o titulo de=Bibliographia das Linguas O 1.o contém a Bibliographia das Linguas Europêas; notei, porém, que he deficientissimo em quanto a Lingua Portugueza.

- BIBLIOGRAPHIA HISTORICA PORTUGUEZA.... por Jorge Cesar de Figanière. Lisboa 1850.

Este excellente trabalho, que por certo custou ao seu benemerito author muitos cuidados e diligencias, he recommendavel pela sua methodica disposição, não menos que pela immensa copia de informações bibliographicas, as quaes parece serem completas, em quanto aos escriptos historicos de Portugal, em linguagem portugueza.

Memorias e Escriptos relativos á Historia Geral de Portugal; Chronicas, Memorias e Escriptos relativos aos nossos Reis e Principes; Antiguidades, e Descripções de Portugal; Memorias e Escriptos acerca das nossas Provincias Ultramarinas; Successos tragicos, maritimos e terrestres; Vidas e Elogios de Varões illustres Portuguezes; Memorias e Escriptos sobre assumptos Ecclesiasticos e Religiosos.... tudo quanto entre nós, ha seculos, tem sido publicado sobre estes diversos assumptos, he indicado com a mais escrupulosa exactidão na Bibliographia Historica Portugueza.

Não comportava a natureza especial deste trabalho que o incansavel Compilador apresentasse noticias biographicas dos authores, nem juizos criticos sobre o merecimento das obras; mas em compensação, o Catalogo do Sr. Figanière guia os leitores as fontes historicas, onde podem encontrar instrucção sobre os diversos assumptos relativos ao nosso paiz.

O Sr. Figanière deu todo o cunho de authenticidade ao seu Livro, asseverando que consultára nos proprios exemplares impressos todas as obras e edições de que dá noticia no Catalogo.

Esperamos que o laborioso author continuará successivamente a dar noticia do que fôr apparecendo no ramo bibliographico-historico, e completará a sua obra, formando o catalogo dos Historiadores Portuguezes, que escrevêrão em latim e castelhano.

Honra e louvores ao Sr. Figanière pelo seu interessante trabalho!

Trabalhos de Diplomatica em Portugal.

DISSERTAÇÃO x. Contendo os Prolegómenos das Instituições

da Diplomatica Portugueza. Tomo 4.°, P. 1.', pag. 1, das Dissertações Chronologicas e Criticas... de João Pe

dro Ribeiro. Julgo interessante para a Historia Litteraria de Portugal o conhecimento dos Litteratos Portuguezes, que se têem occupado de trabalhos de Diplomatica, e do maior ou menor gráo de credito que merecem, e conceito de que gosão.

Como escrevo para mocidade estudiosa, julgo indispensavel dar, muito em resumo, algumas definições relativas á Diplomatica, guiando-me pela Dissertação que acima indico; e depois apresentarei um Catalogo dos Litteratos Portuguezes que se occupárão de Diplomatica.

Diplomatica he a Sciencia que nos ensina a avaliar com exactidão os antigos Diplomas, distinguindo os verdadeiros dos falsos, ou duvidosos.

A palavra Diploma he consagrada entre os Diplomaticos para significar os Documentos publicos, e com especialidade os Reaes, pois que aos outros, igualmente publicos, denominão Charlas.

Scientificamente fallando, uma columna, uma pyramide, um marco, um arco triumphal —denominão-se Memorias; os Monumentos, e os Documentos são acompanhados de lettras, mas distinguem-se entre si, porque os primeiros são de metaes, de pedras, ou de lenhos, -e os segundos, os pergaminhos e o papel.

Os Monumentos dividem-se em Moedas, Medalhas, e Inscripções; dando assim logar a tres sciencias, a Numaria, a Numismatica, e a Lapidaria.

Os Documentos são designados vulgarmente pelos nomes de Codices ou Manuscriptos.

Os Documentos são particulares, quando não feitos officialmente por pessoa publica; são publicos, quando exarados officialmente por pessoa publica, e especialmente se chamão Diplomas, quando nelles intervêm a assignatura ou firma do Soberano, ou ao menos a sua immediata authoridade, reservando-se o nome de Charta para os outros.

A Diplomatica applica aos Documentos publicos os principios da Critica e da Hermeneutica; tendo aliàs alguns principios seus, e proprios do seu objecto.

A Paleographia he aquella parte da Diplomatica, que pelo caracter, ou letra, em que se achão escriptos os Documentos antigos, nos ensina a julgar da sua idade e veracidade, e ainda a determinar o territorio ou nação, a que pertencem.

Postas estas breves definições, darei agora o Catalogo dos Litteratos Portuguezes, antigos, que João Pedro Ribeiro menciona na Dissertação x supra-citada:

No reinado de D. Diniz fez uso, com admiravel circumspecção e

destreza, dos principios da Diplomatica, o Procurador Re

gio Domingos Paez. Igual pericia se mostra dos Enqueredores de D. Affonso 3.° e 4.0 Brito, Fr. Antonio, e Fr. Francisco Brandão, e Fr. Manoel dos

Santos recorrerão amplamente aos Cartorios. Mas o mesino Brito, D. Nicolao de Santa Maria, e Fr. Antonio

da Purificação, apresentárão muitos documentos de sua fabrica, sendo reconhecida já a sua má sé, bem como a de

Higuera, e Gaspar Alvez Louzada. Os Chronistas dos Benedictinos forão destituidos dos bons prin

cipios da Critica; não assim, porém, o Chronista dos Franciscanos, Fr. Manoel da Esperança, ao qual não se pode negar critica, boa fé, e exactidão.

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