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Chronicas Ceraes.

Fr. Bernardo de Brito, Monarchia Lusitana.- «Este Author

venceo no estylo, por ser mais limado e corrente, a todos os que lhe precedérão, e a alguns que se lhe seguirão. Alguns Criticos mais austeros tirão da classe das nossas Historias os primeiros dous tomos da Monarchia Lusitana,

composição de Brito.» Fr. Antonio Brandão. Continuador da Monarchia Lusitana;

author de bom estylo, excellente juizo, prudente liberdade,

e de infatigavel indagação. » Fr. Francisco Brandão. Continuador da mesma obra-sem

grande desigualdade.) Fr. Rafael de Jesus.- «Não devera atrever-se a continuar a

Monarchia Lusitana, por não ter todas as qualidades ne

cessarias para o emprego de Chronista mór. » Manoel de Faria e Sousa. -- «Erudição vasta. Recopilador de

todas as nossas Historias. Mais discreto, do que agradavel; mais erudito, do que eloquente. O seu estylo enfastia a muitos; e alguns reparão em que siga opinioens menos provaveis, do que pede a verdade da Historia. Se agrada a liberdade do seu discurso, tambem não falta quem a julgue

por maledicencia.)) Luiz Coelho de Barbuda. — «As suas Emprezas Militares tem

contra si as suspeiçoens do tempo em que as escreveo. » O Padre Antonio de Vasconcellos. — «Na Anacephaleosis resu

mio as nossas Chronicas, acrescentando, e mudando o que lhe pareceo, não sey se mais certo, se mais glorioso, e plausivel. O estylo he llorido, e quasi poetico, e refere as acçoens que merecião censura, dourando-as com clausulas elegantes, vicio de muitos Historiadores, que por fugirem das venenosas suspeitas de Tacito, abração as enfeitadas descul

pas de Veleio.» Pedro de Mariz. «Com o acrescentamento, que presentemente

se lhe fez, ganhará certamente muito mayor reputação, que

a que merecia.» Christovão Rodrigues Azinheiro.- «O mesmo que a respeito do

antecedente, no que toca ao Compendio das Chronicas de

Portugal. » D. Luiz de Menezes. Conde da Ericeira. -- « Portugal não só lhe deve o muito que obrou, como General, em sua defensa, mas tambem o grande credito, que elle, no Portugal Restaurado, e todos os seus ascendentes, e descendentes em outras muitas, The tem adquirido assim com o profundo estudo das Sciencias, como pelo continuado exercicio das ar

mas. )

Cousas da Africa e Asia.

Gomes Eanes de Zurara. — «Com igual reputação a seu ante

cessor Fernão Lopes, escreveo a 3.o parte da Chronica d'ElRey D. João 1.o, em que por lisongear o genio d'El Rey D. Affonso 5.o o Africano, trata só da jornada de Ceuta, e pelo mesmo motivo compoz tambem a Chronica de D. Pe

dro de Menezes, primeiro Capitão daquelle Presidio.» João de Barros.-«O Livio Portuguez, o grande, e insigne João

de Barros, na opinião de todo o Mundo, conseguio na Obra das suas Décadas huma tal perfeição, que justamente deve

mos esperar da Academia Real... >> Diogo do Couto.— «Continuou as Décadas, senão com a mes

ma reputação, e felicidade, com igual utilidade e exacção. » - «A Vida de D. Paulo de Lima he bem escripta, e de

nenhum modo abate a nossa historia. » Fernão Lopes de Castanheda.- « Escreveo oito livros das acçoens,

qme obrámos na-India. Quem lê as Décadas de Barros e Couto, não se satisfaz facilmente de outro Historiador do

mesmo assumpto. » Gaspar Correa. — « Escreveo quatro Livros dos successos da In

dia, desde o ano de 1497, até o de 1550. O mesmo que

a respeito de Castanheda.» O Padre Maffeo. --« Escreveo toda a historia da nossa India até

o seu tempo, na Lingua Latina, com summa elegancia, e

pureza, e por esta circumstancia he tão celebre. » Affonso de Albuquerque (filho do grande Affonso de Albuquer

— «Braz de Albuquerque, a quem ElRey D. Manoel mandou, que se chamasse Affonso, em memoria de seu pai, escreveo huns Commentarios das acçoens deste Heroe, as quaes bastarão somente para fazer estimada a obra de seu

filho. » Antonio Pinto Ferreira.- A Vida de D. Luiz de Ataíde he

bem escripta, e de nenhum modo abate a nossa Historia.»

que.)

America.

Francisco de Brito Freire. — «Não temos quem escrevesse dos

ultimos descobrimentos, que fizemos na America... mais que tres Authores impressos... dos quaes he o principal Francisco de Brito Freire, estimado não só pela sua pessoa, e pelas acçoens que obrou nestas Provincias, mas pelo bem que escreveo a sua Historia.»

Eis muito em resumo, o catalogo dos Historiadores portuguezes que o Marquez de Alegrète apresenta no Prólogo da sua Historia. Note-se que este author escreveu no anno de 1727.Posteriormente escreverão obras historicas muitos Collegas do author na Academia Real da Historia Portugueza, e nos ultimos tempos tem-se augmentado consideravelmente este ramo da Litteratura Portugueza. - Vejão-se os seguintes subsidios, para complemento das noticias do Catalogo do Marquez de Alegrete:

COLLECÇÃO DOS DOCUMENTOS E MEMORIAS DA ACADEMIA

REAL DA HISTORIA PORTUGUEZA. 1721 a 1736. BIBLIOGRAPHIA HISTORICA PORTUGUEZA... – por Jorge Ce

sar de Figanière. Lisboa 1850. -INDICAÇÃO DOS PRINCIPAES ESCRIPTORES PORTUGUEZES, QUE EXISTIRÃO ATÉ AO PRINCIPIO DO SECULO 18, CLASSIFICADOS SEGUNDO AS MATERIAS, SOBRE QUE ESCREVÊRÃO.

Vem no S 407 da interessante obra de José Vicente Gomes de Moura, intitulada=Noticia succinta dos Monumentos da Lingua Latina, e dos Subsidios necessarios para o estudo da

Coimbra 1823. No citado S explica o douto Professor o que entende por authores Classicos; sendo, no seu conceito, aquelles que escrevêrão aprimoradamente na lingua materna, e que por isso são os mestres praticos da legitimidade, noções e bom emprego das palavras, e de sua boa construcção.

Pondera, depois, que na lição dos Classicos deve advertir-se o seguinte: 1.o está inedita grandissima parte de nossos Escriptores; 2.° a critica, tão felizmente empregada na correcção dos Authores Gregos e Latinos, está ainda entre nós na infancia; 3.° que convem definir, quaes sejão os nossos Authores Classicos;

mesma.

4. As primeiras edições passão ordinariamente pelas melhores, e se o Author fez mais de uma, julga-se melhor a ultima; 5.° As edições, repetidas por editores diversos dos Authores

proprios, são muitas vezes suspeitas de menos correctas, e principalmente as que se fazem por motivo de commercio; 6.0 e 7.° cuidadosa rellexão sobre a etymologia e orthographia; 8. importa notar a differença que ha entre a linguagem mais antiga e a actual, quer seja em quanto ás palavras, quer em quanto á declinação dos verbos, ou finalmente em quanto a Syntaxe; 9.° convem indagar as noções das palavras, quer proprias, quer secundarias, as suas diversas significações, e as differenças nas que parecem synonimas; 10.o dar-se-ha particular attenção á Syntaxe de regencia; 11.o convem notar nos escriptos modernos os erros de linguagem, commettidos pela introducção de palavras e phrases das linguas estranhas, advertindo a expressão portugueza, que deveria empregar-se.

Tendo feito estas e outras ponderações, de que muito particularmente nos occuparemos na 2. parte desta obra, apresenta José Vicente Gomes de Moura o Catalogo de que acima damos conhecimento.

ABREVIATURAS DAS CITAÇÕES DOS LIVROS PORTUGUEZES, COM QUE SE AUTHORIZA O USO DAS PALAVRAS.

Vem no Diccionario da Lingua Portugueza, composto por Antonio Moraes da Silva. 5. Edição. Lisboa 1844.

No fim das Abreviaturas vem esta Nota:

«Se no corpo do Diccionario se achar algum Auctor citado, que ficasse aqui omittido, busque-se no Index dos Auctores abreviado, que vem no tomo 1.o do Diccionario Portuguez da Real Academia, cujas abreviaturas imitei muitas vezes.)

Vê-se, por tanto, que este Catalogo de Authores Portuguezes he copiado do que vem no Diccionario da Academia.

Alguns dos Diccionaristas posteriores a Moraes tèem seguido tambem o exemplo da Academia, de pôrem à frente dos seus Diccionarios um Catalogo dos Authores, com que authorisão o uso das palavras.

NOTICIA DOS POETAS PORTUGUEZES, E DE SUAS OBRAS E EDIÇÕES, DE QUE TRATA O

DICCIONARIO POETICO, PARA USO DOS QUE PRINCIPIÃO A

EXERCITAR-SE NA POESIA PORTUGUEZA: OBRA IGUAL-
MENTE UTIL AO ORADOR PRINCIPIANTE:

seu author Candido Lusitano. 3.a ed. Lisboa 1820.

A Noticia he feita por ordem alphabetica, e com quanto muito resumida, apresenta todavia os indispensaveis esclarecimentos biographicos e criticos acerca dos Poetas Portuguezes, e dá uma ideia assaz clara das obras anonymas.

Vejamos alguns exemplos:

« Francisco de Sá de Miranda, foi natural, e Lente da Univer

sidade de Coimbra, Commendador da Ordem de Christo,
respeitado como Mestre de todos os Poetas, e Sabios do
seu tempo: mereceo o titulo de Seneca Portuguez: falle-
ceo de 63 annos em 15 de Março de 1558. Temos deste
Poeta o seguinte: Obras do Doutor Francisco de de
Miranda. Lisboa 1595. 4., e 1614. 4., e 1632 em 32.
Vilhalpandos, Comedia. Coimbra 1560. 12. Estrangeiros,
Comedia. Coimbra 1569. 8. Satyras. Porto 1626. 8. De-
vemos huma nova Edição destas Obras ao Sr. Francisco
Rolland feita em Lisboa em 1781. em 2 vol. 8. que
que se cita por tomos, e paginas neste Diccionario.»

.

he a

«Gil Vicente, huns o fazem natural de Guimarães, outros de

Barcellos, e outros de Lisboa, he chamado o Plauto Portuguez; delle bastará dizer, que Erasmo aprendeo a lingua portugueza só para ler as obras poeticas de Gil Vicente. Falleceo em Evora pelos annos de 1556. Temos delle: Compilação de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em sinco Livros. O primeiro he de todas suas cousas de devação. O segundo as Comedias. O terceiro as Tragicomedias. O quarto as Farças. No quinto as Obras meudas. Lisboa por João Alvares 1562. fol. »

A Noticia he pois um excellente subsidio bibliographico, para conhecimento da nossa poesia nos seculos xvi e xvii.

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