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Estaços, naturaes da Cidade de Evora. Interessa este escripto á Historia Litteraria, por dar noticias historicas sobre os ascendentes de dous homens illustres nas Lettras, Gaspar Estaço, e Achilles Estaço.

ACADEMIA, SEU RESPUBLICA LITTERARIA..... — Authore D. Benedicto Pereyra Societatis Jesu. Ulyssipone. — Ex officina, et sumptibus Antonii Craesbeeck de Mello. Anno 1662.

Julguei indispensavel fazer menção desta obra de Bento Pereira, por isso que o assumpto sobre que versa interessa á Litteratura.

Para dar uma ideia desta obra, na qual o seu Author despendeu uma vasta erudição, indicarei aqui os objectos dos Livros, em que ella he dividida.-0 1.° Livro tem por titulo: De essentia, institutione et nobilitate Academiæ;-02.0: De legibus, et statutis Academiæ;—0 3.0: De privilegiis et privilegiatis;-0 4.°: De exercitio literarum in ludis, et certaminibus; -o 5.°: De Rectore Academiæ;-0 6.°: De Cancellario et Gymnasiarcha;-0 7.°: De Conservatore; -08.°: De Doctoribus et Magistris;—o 9.o: De Scholasticis tam discipulis, quàm auditoribus;—o 10.o: De Collegiis et Præbendalis.Cada um dos Livros he dividido em Disputationes, e estas em Quæstiones, tratadas em numeros separados.

He força confessar que o maior numero das questões, tratadas naquelle Livro, perdêrão já a opportunidade, em consequencia da nova organisação dada ao ensino publico, e aos estudos Universitarios e Academicos, desde os fins do seculo passado e no actual. Querendo-se, porém, estudar a organisação das Universidades e Academias dos seculos anteriores, e nomeadamente do 17.°, e da primeira parte do 18.°, encontrar-se-hão no Livro de Bento Pereira bastantes elementos, noticias e doutrina.

A questão 5.a (3.* Disp. Liv. 1.°) tem por titulo: Quale fuerit judicium magnorum Principum de utilitate Academiæ Conimbricensis; e nelle são indicados alguns documentos, que fazem honra a D. Diniz, e a D. Affonso 4.o, e a alguns Soberanos Pontifices, com relação a Universidade de Coimbra; bem como na Questão 6.a cita varios documentos muito honrosos á memoria de alguns Pontifices, e ao Cardeal Infante D. Henrique, com referencia ao Collegio è Universidade de Evora.

MEMORIA ESTATISTICA ÁCERCA DA NOTAVEL VILLA DE MONTE-MÓR o Novo— por Joaquim José Varella.

0 Artigo 3.o desta Memoria traz um Cathalogo, por ordem alphabetica, dos Illustres Escriptores de Monte Mór o Novo.

DESCRIPÇÃO HISTORICA E ECONOMICA DA Villa E TERMO DE TORRES VEDRAS—por Manoel Agostinho Madeira Torres.

Na ultima parte do Capitulo 9.o accrescenta o Author á lista dos Escriptores respectivos, que traz Barbosa na Bibliotheca Lusitana, os nomes de outros que o Abbade de Sever não mencionou.

Apresenta depois um Catalogo dos homens de Lettras, não escriptores.

N. B. Estas duas Mem. encontrão-se na Collecção das da Academ. Real das Sciencias de Lisboa.

BÉJA NO ANNO DE 1845, OU PRIMEIROS TRAÇOS ESTATISTICOS DAQUELLA CIDADE. Funchal 1847 – por José Silvestre Ribeiro.

O Capitulo 7.o deste opusculo traz uma lista dos principaes Sabios e Litteratos, naturaes da Cidade de Béja, com uma breve, mas substancial noticia dos titulos que os recommendão á posteridade.

Ao ILL. E Ex. SR. MARQUEZ DE POMBAL, EM AGRADECIMENTO DE BENEFICIOS RECEBIDOS — Oração por Joaquim José de Miranda Rebello. Lisboa 1773.

He um panegirico eloquente do grande Marquez de Pombal, por vezes empolado em demazia, mas rico de considerações sobre o estado das Sciencias e das Lettras nos differentes seculos.

Querendo fazer sobresahir as reformas do immortal Ministro, desenha com grande vivacidade a anterior situação scientifica e litteraria de Portugal:=« Reduzidos os espiritos a hum voluntario captiveiro, se propagava universalmente aquelle gosto depravado, que obrigava a reputar por culpavel atrevimento o innocente, e necessario uso do nosso juizo. Entre os nossos não havia cousa mais estranha, que o pensar per si mesmo......... Dispostos assim os animos a tudo subtilizarem, e nada comprehenderem; esquecendo de proposito fazer separação do util e do prolixo; estabelecido o systema de empregar huma vida inteira em entender tudo quanto de sua natureza fosse inintelligivel, tomados por justos instrumentos os que só servissem para tudo ignorar, passavam os nossos illudidos, ainda que applicados, a penetrar os importantes mysterios das tres grandes sciencias. »=

DESCRIPÇÃO HISTORICA E TOPOGRAPHICA DA CIDADE DE PENAFIEL— por Antonio d’Almeida.

He sabido que por Carta de Lei de 17 de Março de 1770 foi creada a Povoação de Arrifana de Sousa em Cidade de PeDafiel.

O Author da Memoria trata pois primeiramente de Arrisana de Sousa, e depois se occupa com as noticias relativas a Cidade de Penafiel. No Cap. 15 trata das pessoas que mais se distinguírão em Arrifana de Sousa, e ahi apresenta a biographia daquellas que se tornárão mais notaveis e illustres nas Lettras. Da epocha posterior á creação da Cidade de Penafiel não menciona pessoa alguma recommendavel na republica litteraria.

(Vem nas Mem. da Acad. Real das Sciencias de Lisboa.) DESCRIPÇÃO TOPOGRAPHICA E HISTORICA DA CIDADE DO PORTO....—por Agostinho Rebello da Costa. Porto 1789.

O Capitulo 9.o desta obra he consagrado a enumerar os Homens illustres em Lettras, e Armas, que a Cidade do Porto produzíra até aos fins do seculo 18.° 0 Author, attendendo a que nos estreitos limites de uma breve Descripção não cabia apresentar longos desenvolvimentos biographicos e criticos, mencionou apenas os que julgou mais dignos de altenção, indicando sem a devida separação os distinctos em Litteratura, e os famosos em Armas, pois que o maior numero delles exercitárão hum e outro emprego. O Catalogo que o Author apresenta he interessante, porque reune em um só quadro os homens notaveis, que na segunda Cidade do Reino tiverão nascimento; mas he muito escasso de noticias.

O Capitulo 10.o da mesma obra traz uma noticia das Mulheres illustres em virtudes, em sabedoria, e outras raras qualidades, que nascerão na Cidade do Porto.

Excriptos Bibliographicos.

A Bibliographia, limitando-se unicamente a descrever livros, he apenas a sciencia do Livreiro; mas se ella se propuzer a classificar methodicamente os Livros, a distinguir os bons dos máos, a indicar as edições raras, a inculcar as obras mais uteis e preferiveis entre as immensas producções que hoje enchem as Bibliothecas; -neste caso a Bibliographia póde tornar-se interessante e muito proveitosa ás Lettras e ás Sciencias.

Será pois um excellente Bibliographo aquelle que pudér dar noticias apuradas e seguras, tendentes a guiar pelo melhor e mais curto caminho para a acquisição de conhecimentos, e a promover a disposição e collocação mais propria dos livros, em ordem a que seja facil encontra-los, ainda na mais vasta collecção.

Não entra no nosso plano fallar aqui dos preciosos trabalhos bibliographicos dos de Bure, dos Peignot, dos Brunet; aqui só nos occupamos dos escriptos bibliographicos relativos á nossa Litteratura.

Neste genero possuimos os seguintes subsidios:

CATALOGO ALPHABETICO, TOPOGRAPHICO, E CHRONOLOGICO DOS AUTHORES PORTUGUEZES, CITADOS PELA MAIOR PARTE NESTA OBRA (Vocabulario Portuguel e Latino) - pelo Padre D. Raphael Bluteau.

(Vem no Tomo 1.o do Vocabulario) =«De todos os Autores Portuguezes, diz Bluteau, que me vierão á mão, fiz este Catalogo, não só, para seu credito delles, mas para autoridade deste Vocabulario, porque rara he a palavra, menos vulgarmente usada, ou termo scientifico, e extraordinario, que não venha authorizada com algum exemplo, e juntamente com a citaçam da pagina no livro do Autor allegado. Até das palavras, mais vulgares, muitas vezes trago exemplos, para que conste do sentido, em que forão usadas; e não he superflua esta curiosa pontualidade, porque sobre o significado de termos corriqueiros, e chulos, muitas vezes se levantão controversias, que só com o exemplo de algum Autor se decidem.»=

Bluteau explica depois a razão dos titulos do seu Catalogo:

=«Os titulos deste Catalogo sam tres, por tres razões. He alphabetico, topographico e chronologico. Alphabetico, pella disposiçam dos Autores pelos seus nomes proprios, segundo a ordem das suas letras iniciaes; Topographico, com a declaraçam da Cidade, e officina, em que o livro foi impresso; e Chronologico, pella noticia do Anno, em que sahio a luz. Destes tres titulos nascem tres utilidades, a saber, o conhecimento do Autor, da ediçam, e do tempo, em que foi impressa a obra.... A este Catalogo se seguiram outros tres; o primeiro de alguns Autores Portuguezes, de cujas obras, ainda que só manuscritas, me vali neste Vocabulario; o segundo dos livros, dos quaes o Autor se dissimúla, ou se ignora; e o terceiro das materias tratadas por Autores Portuguezes.»=

Neste ultimo Cathalogo classifica Bluteau os Authores Portuguezes, segundo as materias de que tratárão; e nessa classificação se encontrão os tratados de Medicina, Cirurgia, etc. etc.Bluteau comprehendeu perfeitamente a indispensabilidade de abonar as suas asserções com os exemplos de authores especiaes, segundo a especialidade das materias. «Aos que condemnarem a confiança, com que allego com toda a casta de Autores, respondo, que me aproveitei de todos, por que nas materias da sua profissam, cada hum delles he Texto. Em Cirurgia, e Medicina tão propriamente sallam Antonio da Cruz na sua Recopilação, e o Doutor João Curvo na sua Polyanthea, como João de Barros na Historia, e o P. Antonio Vieira na Predica; e a seu tempo, e lugar tanto caso fiz de algumas expressoens de Antonio Galvam na sua Alveitaria, e de Manoel Leitam na sua pratica de Barbeiros, como das Phrases, e elegancias de Jacinto Freire, e das metaphoras, e Paranomasias do Bispo do Porto D. Fernando Correa de Lacerda.»=

SUMMARIO DA BIBLIOTHECA LUSITANA.Lisboa. 1786. 4 pequenos volumes.

He um resumo da Bibliotheca Lusitana de Diogo Barbosa Machado, feito pelo Professor Bento José de Sousa Farinha.

Nas proporções a que ficou reduzido o Summario, he um escripto meramente bibliographico, pois que se limita a dar conhecimento das obras que os differentes Authores compozérão, omittindo as noticias biographicas e litterarias, que o Abbade de Sever apresenta mui circumstanciadamente.

Ainda assim, porém, he o Summario um bom soccorro para quem não pode ter a mão a Bibliotheca Lusitana.

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