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MEMORIA DO COMÉÇO, PROGRESSOS, E DECADENCIA DA LITTE

RATURA GREGA EM PORTUGAL, DESDE O ESTABELECIMENTO
DA MONARCHIA ATÉ AO REINADO DO S NIOR D. JOSÉ
por Fr. Fortunato de S. Boaventura.

MEMORIA SOBRE O COMÊÇO, PROGRESSOS, E DECADENCIA DA

LITTERATURA HEBRAICA ENTRE OS PORTUGUEZES CATHO-
Licos ROMANOS, DESDE A FUNDAÇÃO D'ESTE REINO ATÉ
AO REINADO DE ELREI D. JOSÉ 1- por Fr. Fortunato

de S. Boaventura.
D'estas duas ultimas Memorias faremos especial menção no
Capitulo 3.° d'esta Obra.

-DISSERTAÇÃO HISTORICA E CRITICA, QUE PARA APURAR O
CATHALOGO DOS CHRONISTAS MÓRES DO REINO E ULTRAMAR
ESCREVEU — Fr. Manoel de Figueiredo. 1789.
Darei aqui a indicação do resultado a que chega o Author:

-Chronistas Móres na Lingua Portugueza, a respeito dos quaes não ha duvida.

Fernão Lopes. Começou a servir em 1434. Teve Carta em 1449;—Gomes Eannes de Azurára, Carta em 1459; Vasco Fernandes de Lucena, 1484; Rui de Pina, 1497; Fernando de Pina, 1525; D. Antonio Pinheiro, 1550; Francisco d'Andrade, 1593; Fr. Bernardo de Brito, 1614; João Baptista Lavanha, 1618; D. Manoel de Menezes, 1625; Fr. Antonio Brandão, 1644; Fr. Rafael de Jesus, 1682; José de Faria, 1695; Fr. Bernardo de Castello Branco, 1709; Fr. Manoel dos Santos, 1726; Fr. Manoel da Rocha, 1740; Fr. Antonio Botelho, 1745; Fr. José da Costa, 1747; Fr. Antonio Caldeira, 1755; Fr. Antonio da Matta, nomeado pela Senhora D. Maria 1.

-Duvidosos, na Lingua Portugueza:

João Camelo; D. Pedro Alfarde, e mais Priores Claustraes de Santa Cruz de Coimbra, até 1460; Alvaro Gonçalves de Caceres; Duarte Galvão; Damião de Goes; Antonio de Castilho.

-Chronistas, na Lingua Latina:

Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo, 1650; o Padre Antonio dos Reis, 1726; o Padre Estacio d'Almeida, 1738; 0 Padre Joaquim de Foyos, no reinado da Senhora D. Maria 1. (João Baptista de Castro diz que fóra Diogo Mendes de Vasconcellos o i. Chronista de Portugal na Lingua Latina.)

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- Chronistas, no Ultramar:

Diogo do Couto, por mercê de Pilippe 1-India; Antonio Bocarro, Filippes — India; Diogo Gomes Carneiro, 1673 Brasil; Ignacio Barbosa Machado- Chronista de todas as Provincias Ultramarinas, 1725; Francisco Xavier da Serrano reinado da Senhora D. Maria 1.

Escriptos a consultar:
Bibliotheca Lusitana—a cada nome dos supramencionados.
Hist, Geneal. da Casa Real Port.
Goes, Chron. d'ElRei D. Manoel.
Barros, Decadas.
Chancellaria de diversos reinados - Torre do Tombo.

-MEMORIA SOBRE A MATERIA ORDINARIA PARA A ESCRITA DOS NOSSOS DIPLOMAS, E PAPEIS PUBLICOS - por José Anastacio de Figueiredo. 1791.

De algum modo interessa á Historia Litteraria indagar a materia em que escrevião os nossos antepassados, e embora não fosse mais do que uma curiosidade esta indagação, teriamos por conveniente mencionar esta Memoria, que aliàs tem todo o cabimento na Diplomatica e na Legislação.

Limitando-nos ao tempo dos Gregos e dos Romanos, vemos que a materia mais ordinariamente por elles empregada, para a escripta, era o papel egypcio, preparado e fabricado com as tunicas e laminas da casca da planta papyrus (uma especie de Cyperus ou junça), que lhe deu o nome. Este papel era branco, como o de que usamos hoje, e pouco se differençava d'este. No oitavo ou nono seculo, começou a fazer-se uso do papel de algodão, ou bombycino, abandonando-se insensivelmente o do Egypto, por um principio de mui natural economia. O que succedeu assim no Oriente, tornou-se mais forçoso no Occidente, desde que, por industria dos Francezes, se entrou a fabricar o papel de trapos e pannos velhos; de sorte que todas as outras materias ficarão em esquecimento, a excepção do pergaminho.

O pergaminho foi inventado pelos Reis de Pergamo, donde tomou o nome, por lhes faltar a charta ou papel, quando Ptolomeu destruío todos os Papyrus, e registos, que se fazião no Egypto. Sendo o pergaminho feito, como ainda hoje, de pelles de animaes curadas, foi facil perceber o quanto era mais duravel do que o papel feito de pannos e trapos velhos; como, porém, este

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ultimo tambem promettesse duração, generalisou-se o seu uso, reservando-se o pergaminho para escriptos que demandavão mais permanente consideração.

Consta que os livros do meado do seculo xii erão feitos de pelles de carneiro, bode, ou vitella, isto he, de pergaminho; ou de plantas orientaes, isto be, de papel egypcio; ou em fim de de trapos, ex rasuris veterum pannorum.

No Codigo das Partidas já se distingue quaes as Chartas que se deverião fazer em pergaminho de coyro, e quaes em pergaminho de pannos (papel). E como as Partidas forão mandadas traduzir pelo nosso Rei D. Diniz, e desde logo com authoridade de Leis subsidiarias entre nós, passou tambem para Portugal aquella distincção. Por documentos authenticos he sabido que no seculo xiv juravão os nossos Tabelliães na Chancellaria, que farião primeiramente as Notas das Cartas ou dos Instrumentos em liuro de papel, e que registarião en boos liuros de coyro as Cartas, que fizessem e fossem de frmidões ou contractos; e quando os Instrumentos bouvessem de sahir para fóra do Reino, fossem ante notadas e registradas é purgaminho de coyro; mas quando fossem para o Reino, ou para ficar n'elle, as registrassem ē papel.

Por muito tempo, em Portugal e na Hespanha, foi o vocabulo pergaminho um termo commum para designar ambas as materias, de que se ficou usando, de sorte que para as differençar, era necessario dizer pergaminho de coiro, e pergaminho de papel; no entanto já na Ordenação de D. Affonso v se distingue o papel do purgaminho. Mais tarde já as Leis não recommendão que se escrevão os documentos em pergaminho, ou em papel; passou a ser este negocio uma questão de prudencia, deixando-se ao arbitrio dos Escrivães, Tabelliães, e das Repartições Publicas o escreverem como entendessem mais seguro, -em pergaminho, quando os documentos devessem ter longa duração; em papel, quando se désse a hypothese contraria.- author da Memoria termina dizendo que seria muito para desejar «que o pergaminho não tivesse ficado em tal desuso entre os Escrivães, e para os processos, porque até não seria tão facil o abuso, que contra a mente e espirito da Lei, e em muito vulgar prejuizo das partes, se está observando na venda dos mesmos processos, em razão da facil e mais multiplicada applicação, que delles se pode fazer, e não estarião os particulares perdendo a cada passo o seu direito, e não podendo liquidar os seus dominios, pela conservação dos meios de a todo o tempo poderem reformar muitos Titulos e Sentenças. »

Acerca da doutrina d'esta Memoria, veja-se nas Dissertações Chronologicas e Criticas de João Pedro Ribeiro a Dissertação XI sobre a materia dos documentos antigos, tomo 4.", parte 1.",

pag. 31.

-MEMORIAS HISTORICAS DOS PROGRESSO, E RESTABELECIMENTO DAS LETRAS NA ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO EM PORTUGAL E SEUS DOMINIOS. -Vem no Tomo II, da Obra que tem por titulo— «Memorias Historicas, e Appendix segundo a disposição quarta da Collecção das Disposições do Superior Provincial, para a observancia e Estudos da Congregação da Ordem Terceira de S. Francisco.»—Lisboa 1794. He obra do grande Cenaculo.

O Author quiz ser especialmente prestavel á sua Congregação da Ordem Terceira de S. Francisco em Portugal, e por isso, diz elle, trabalhei por desenterrar como de antigo, e arruinado sepulcro, especies litterarias desconhecidas, e crear em cerlo modo huma narração, que servisse de estimulo a nossos estudos, sendo mostradas as causas, e os effeitos dignos da imitação, ou da cen

sura.

Aponta as noticias litterarias que encontrou dos primeiros tempos da Congregação até ao fim do seculo Xui, no Cap. 1.°, e consagra depois o Cap. 2.° ás noticias relativas ao seculo xvi, 0 3.° ao xvII, e o 4.° ao XVII.

Supposto que o seu principal intento seja historiar os progressos, e restabelecimento das Lettras da Ordem Terceira, he comtudo certo que enlaça as suas investigações e noticias especiaes com as geraes do nosso paiz, e n’este sentido offerece grande interesse o seu livro, independentemente mesmo da conveniencia que ha de ter conhecimento da applicação e serviços litterarios d'aquella Corporação Religiosa.

As notas e os Commentarios que se lêem no fim da obra são muito interessantes, em geral, e tambem em especial com referencia á Historia Litteraria.

O Commentario 1.o dá noticia da Origem e Regularidade da Congregação; o Commentario 6.o contém noticias muito curiosas sobre as Capellanias móres, e traz no fim um Catalogo biographico e historico dos diversos Capellâes móres das nossas armadas.

Terei occasião de mencionar novamente estas Memorias no segundo volume desta obra, quando tratar da resenha das Grammaticas, Diccionarios, etc. etc.

-Ensaio HISTORICO SOBRE A ORIGEM E 'ROGRES OS DAS MATHEMATICAS EM PORTUGAL.- Por Francisco de Borja Garção Stockler. Paris. 1819.

«O meu intento, diz Stockler na Introducção, he somente delinear um breve quadro dos progressos mais notaveis das Sciencias mathematicas entre os Portuguezes; indicar ao mesmo tempo as causas que, nas principaes épocas da nação, concorrerão a promover ou embaraçar a sua cultura. >>

Fazemos menção d’esta Memoria, por isso que n'ella apresenta o sabio Stockler uma exposição do desenvolvimento, que teve a Instrucção Publica em Portugal nos diversos periodos da sua Historia.

A natureza destinou os habitantes de Portugal para constituirem uma pação industriosa, navegadora e mercantil, mas esta missão providencial não pode ser desempenhada nos primeiros tempos da Lusitania, sob a dominação successiva dos Celtas, dos Gregos, dos Phenicios, dos Carthaginezes, dos Romanos, e dos Godos. Sob a dominação dos Arabes um pequeno raio de luz apparece no horisonte de Portugal; as sciencias e a navegação como que querem romper as trevas e a ignorancia; mas o subito clarão desvanece-se logo, e só por mui limitado tempo allumia e brilha. Constitue-se a Monarchia Portugueza; mas os nossos primeiros cinco Reis não poderão occupar-se das lettras, nem das sciencias, como forçados que forão a conquistar o paiz sobre os Mouros. Sobe ao throno El Rei D. Diniz, e este,

Alcançada a paz, aurea, divina estabeleceu em o anno de 1290 a Universidade de Lisboa, que dezoito annos depois tansferio para Coimbra; mas n'essa Universidade estabelecem-se Cadeiras de Leis, Decretaes, Physica, Grammatica e Musica, e nenhuma para o ensino das Mathematicas.

D. Affonso iv, D. Pedro I, e D. Fernando, sustentárão sim com alguns privilegios e mercês a Universidade, mas não promovêrão o seu adiantamento.-D. João i não pôde, por muito occupado com a guerra da independencia, proteger efficazmente as lettras e as Sciencias. Teve, porém, illustres filhos, que muito

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