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peró doverá il Benevolo Lettore compatire benignamente gl'era rori, che trovarà nelle nell'Impressione del Texto etc.)

-MEMORIAS HISTORICAS DO MINISTERIO DO PULPITO. 1776.
APPENDIX SOBRE A REFORMA DAS LETRAS NA EUROPA. 1776.
CUIDADOS LITTERARIOS — do Prelado de Béja, em graça do

seu Bispado (em data de 8 de Dezembro de 1788);

Impressos em 1791. Estas obras forão escriptas por D. Fr. Manoel do Cenaculo Villas-Boas, Bispo de Béja, e depois Arcebispo de Evora ; e d'ellas todas, como observou o sabio Trigoso, se pode tirar o fundamento de uma excellente Hist. Litt. Europea.

Não se propoz o preclarissimo Cenaculo a escrever uma Historia Litteraria, mas sim a excitar os animos para a sincera cultura das Letras, e para serem professadas com melhodo; para conseguir, porém, este fim foi-lhe necessario percorrer a historia intellectual dos povos, e especialmente a dos portuguezes, habilitando-se d'est'arte a apontar as causas e os effeitos, dignos da imitação, ou da censura.

Nas Memorias Historicas do Ministerio do Pulpilo propoz-se Cenaculo, em beneficio da Ordem Terceira de Portugal, a meThorar os Estudos, proporcionando a Mocidade d'aquelles Claustros as luzes e estimulos para ser erudita, e poder passar além do Systema Escolastico exclusivo, que então dominava ainda; e n'aquella Obra ha um Appendix, com o titulo de Oratoria Sagrada em Portugal, no qual vai seguindo a Monarquia Portugueza, desde os primeiros seculos, e apontando as differentes phases das Letras e das Sciencias entre os seus compatriotas, e fazendo a resenha dos Varões illustres, que em differentes ramos encontra. He este, sem contestação, um bello pedaço de Historia Litteraria.

Nos Cuidados Litterarios propõe-se Cenaculo a encaminhar os Ordinandos nos seus estudos, e ahi entra em largos e eruditos desenvolvimentos, que não só aproveitão aos que se destinão para a vida ecclesiastica, mas tambem aos que se dedicão ás Letras e ás Sciencias, seja qual fôr a sua especial applicação.

tivemos occasião de encarecer os louvores que merece o grande Cenaculo, no nosso trabalho statistico:=Béja no anno de 1845=pois que nos veiu a proposito commemorar n’aquelle Opusculo o preclarissimo nome do Prelado, que por espaço de vinte e cinco annos, e tão brilhantemente, presidira aquella Igreja nascente Quando nos annos de 1845 e 1846 governámos o Districto de Béja, tivemos relações com pessoas idosas d'aquella Cidade, que tinhão gosado a ventura de ver o grande e immortal Cenaculo, e que ainda se recordavão saudosos d'esses bellos tempos, em que o illustre Prelado elevára Béja ao maior grao de esplendor. Alli estabeleceu elle o uso das Conferencias Ecclesiasticas, fundou a Academia Ecclesiastica de Béja, creou no seu proprio Paço um Curso de Humanidades e de Theologia, sendo a alma, o motor zeloso de todos esses estabelecimentos, cujo desenvolvimento, progressos, e bom fructo, animava pessoalmente. Alli escrevia immortaes obras, destinadas a dirigir os estudos, e a instruir e a guiar o Clero; ao passo que não se descuidava de promover a educação do sexo feminino, creando escholas de meninas, nem tão pouco de olhar para essas serras que sepárão o Algarve do Campo de Ourique, e lá fazia chegar tambem os beneficos influxos da sua sollicitude, mandando instruir na Cidade moços d'aquellas Parochias, e creando lá Cadeiras de ensino, e Capellas. Na Cidade de Béja deixou uma Bibliotheca completa, e proporcionada para se cultivarem os estudos ecclesiasticos que fundára; formou um Museu das antiguidades da sua Diocese; reuniu uma notavel collecção de pinturas. E não satisfeito ainda com os beneficios prestados a favor da Religião, das Sciencias e das Letras, promoveu o arroteamento de muitos terrenos desaproveitados, da sua Diocese. Agasalhava e recebia como Principe um grande numero de Sabios, e de habeis Artistas estrangeiros, que o visitavão.

Restaria ainda fallar do grande Cenaculo como Arcebispo de Evora, e voltar atraz para o considerar como Religioso da Ordem Terceira da Penitencia, como Lente de Artes no Collegio de Coimbra, como Mestre do Principe D. José, como Presidente da Real Mesa Censoria, etc. etc., mas levar-nos-hia muito longe essa gostosa tarefa, e ficariamos ainda assim muito aquem do que he devido ao mereciniento do grande homem, ao qual o Marquez de Pombal chamava poco sem fundo e sem lodo.

Todas as obras que citámos de Cenaculo são boa fonte de noticias para a Historia Litteraria. Desejáramos, porém, que o estilo d'este grande homem fosse mais corrente e claro, pois que por vezes, e particularmente nos Cuidados Litterarios, o achamos embaraçado e escuro. Daremos uma breve amostra do seu estilo. Nos Cuidados Litterarios, sallando dos nossos Escriptores do seculo xv, diz Cenaculo que já alguns hião polindo a phrase, e entre outros Bernardim Ribeiro, e Christovão Falcão, e depois accrescenta:

=«Tinha aqui logar a recommendação de doutrina de nossos maiores, como do Cardeal D. Jorge da Costa e seu irmão Bispo do Algarve, do Santo Varão Gomes de Lisboa, e de outros Sabios recommendados nas pennas de Angelo Policiano, e de outros eruditos d'aquelle tempo; mas agora somente quiz desviar uma nesga do manto sófrego que redobrão os desconhecedores de nossos bons e antigos tempos. Elle he pesado pelo immenso volume dos dias gastadores; porém, o meu affectuoso respeito, através das minhas pulverisadas e sérias impossibilidades, tem hido espreitando os escondrijos ncantadores, e convidando a quem mais possa para a magia de trazer á conversação de nossos dias os bons genios dos dias passados.»

Para nos indemnisarmos do desgosto de haver notado esta pequena falta no estilo dos 'uid. Litt., apressamo-nos a dizer que n'esse mesmo livro ha paginas escriptas com a devida clareza, cuja qualidade mais sobresahe nas outras obras; e ninguem poderia engeitar estes periodos, aliàs tão repassados de judicioso criterio, com que o grande Cenaculo conclue as Mem. Hist. do Min. do l'ulp.:=Attemperar-se, e ajustar-se o Pregador aos ouvintes, ás circumstancias, e á materia, he condição de observancia indispensavel. Os ouvintes, e o tempo pedem muitas vezes um Discurso muito simples; e esta então he a verdadeira eloquencia... Os defeitos, de que em todo o tempo devem carecer. os Prégadores, he a ignorancia da Materia. São tambem defeito as expressões indecentes, muito mais n'aquelles assumptos, cuja impureza hão de reprehender: são defeito as phrases humildes: os similes grosseiros: a pouca economia nos termos, ainda que talvez bons em si, comtudo não adoptados pelos Sabios competentes: em fim as vozes, que a experiencia mostra serem justamente vituperadas pelas pessoas de educação polida.»

N. B. Entre os trabalhos sobre Historia Litteraria de Cenaculo devemos mencionar unia Obra ined. e orig. da Bibl. Publ. Eborense, da qual forão publicados alguns extractos no Panor. de 1843, pag. 261, 266 e 267, e tem por titulo:=0 Arcebispo Cenaculo no Elogio, ou Estudos do Padre doutor Fr. Joaquim José Pimenta, da Ordem Terceira de S. Francisco, e Litteratura de seus dias.

No que vimos d'esta Obra se dá uma curiosa e instructiva

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noticia historica do estado das Letras, Sciencias e Artes no reinado do Senhor D. João v.

Sobre a Vida e Escriptos de Cenaculo, leão-se as seguintes Obras:

Origem e progresso das Linguas Orientaes na Congregação da Terceira Ordem de Portugal - por Fr. Vicente Salgado. Lisboa. 1790.

Compendio Historico da Congregação da Terceira Ordem de Portugal, composto por Fr. Vicente Salgado. Lisboa. 1793.

No fim do Compendio vem o=Catalogo dos Prelados Maiores que tem regido esta Congregação de Portugal, unida em regularidade, e essenciaes votos.=He um documento, que pode ser conveniente consultar para a Historia Litteraria.

Elogio Historico do Ex.mo e Rev.mo D. Fr. Manoel do Cenaculo, Arcebispo de Evora- por Francisco Manoel Trigoso d'Aragão Morato. Recitado na Sessão da Acad. R. das Sciencias de 24 de Junho de 1814.

-MEMORIAS PARA A HISTORIA LITTERARIA DOS DOMINIOS DE PORTUGAL, EXPOSTAS EM SETE CARTAS, NAS QUAES SE REFERE O PRINCIPIO, PROGRESSO, E FIM DA DOUTRINA JESUITICA DAS HUMANIDADES – por João Pedro do Valle. Lisboa 1760.

O titulo pomposo d'este livrinho faria crer que se encontraria n'elle uma copiosa fonte de noticias para a nossa Historia Litteraria, quando não um ensaio d'esta. O Author, porém, foi menos discreto na escolha do titulo, e tanto mais quanto, nas sete Cartas que publicou, só trata de um assumpto polemico de muito secundario interesse, qual he o de contestar aos Jesuitas portuguezes o merecimento de grandes Latinistas, pretendendo fazer sentir: 1.°

que não forão aquelles os restauradores da Lingua Latina em Portugal; -2.° os erros do seu methodo, grammatica, e ensino; -3.° a multidão de livros superfluos, ou indigestos, que introduzírão, etc. etc.

Muito acertadamente pois andou o Sr. Freire de Carvalho, na Nota 1.“ do seu Ensaio, em pôr de sobre aviso os Leitores para que não suppozessem que nas Memorias se contém uma noticia systematica de toda a nossa Historia Litteraria, ou pelo menos de alguns dos seus diversos periodos.

Em todo o caso, porém, quando no 2.° vol. da nossa Obra tratarmos das Grammaticas, será mister mencionar novamente as indicadas Cartas, em razão das considerações que n'essa especialidade apresentão, e que aliàs não são de todo para desa prezar.

Esta obra, publicada com o nome de João Pedro do Valle, dizem ser de Antonio Felix Mendes.

-MAPPA DE PORTUGAL antigo, e moderno — pelo Padre João Baptista de Castro. Lisboa. 1762. 1763.

Esta obra, com quanto seja essencialmente uma descripção topographica, historica, militar, e religiosa de Portugal, entra todavia no quadro dos subsidios para a Hist. Litt., por isso que, na Parte 4.* do tomo 2.o, tem dous Capitulos, destinados a dar noticias meramente litterarias do nosso paiz.

Qual foi o intento do Author na composição do Mappa de Portugal? Foi, segundo elle diz, não só proporcionar instrucção aos nacionaes, mas especialmente fornecer aos estrangeiros os meios de adquirir noticias individuadas e seguras sobre o estado verdadeiro de Portugal, contribuindo assim para que elles não commettessem os erros e descuidos, que ainda nos authores modernos apparecião sobre as nossas cousas.

Deixando a maxima parte do Mappa de Portugal, só nos occuparemos do assumpto litterario.

Competente era João Baptista de Castro para escrever sobre a Historia Litteraria, como quem tivera a honra de soccorrer a Diogo Barbosa Machado, seu amigo, com preciosas noticias e algu-, mas originaes, para a composição da Bibliotheca Lusitana; e com quanto elle reconheça o grande disvelo, e erudição com que o seu amigo tratou um tal assumpto, julgou todavia dever transmittir aos Leitores do Mappa algumas informações succintas, mas substanciaes, da nossa riqueza litteraria. -Assim, no 1.o Capitulo da Parte 4. do Tomo 2.° trata da Origem e progressos das letras e Universidades n'este Reino, e no 2.o apresenta uma resenha de alguns famosos Escriptores Portuguezes, que florecêrão em varios generos de litteratura.

Para não reproduzirmos o que diz o Author, cuja obra anda nas mãos de todos, limitar-nos-bemos a fazer notar as fontes d'onde elle deriva a doutrina, e a indicar a classificação methodica e bastantemente desenvolvida que apresenta dos Escriptores, segundo as diversas faculdades e materias que seguirão ou tratárão,

As principaes obras portuguezas, a que o Author reccorreu para seu esclarecimento, ou para abonar as suas asserções, são as seguintes:-Agiologio (Cardoso); Monarquia Lusitana (Brito

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