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«gue de ces peuples, doit la chercher dans la loi des Douzes «Tables, dans Ennius, dans les anciens comiques, dans Varron, «Végèce, Columelle, et en général dans tous les auteurs qui an'ayant pas cherché à faire des phrases, n'ont employé que le «style le plu simple, et que les mots qui étoient entendus de (tout le monde.»

Merecem ser lidos sobre este assumpto, e particularmente sobre o modo por que se operou a transformação do latim nas linguas meridionaes modernas, a «Mémoire sur l'introduction de la langue latine dans les Gaules, sous la domination des romains» e «Réflexions sur la langue latine vulgaire) —do citado M. Bonamy, que se encontrão a pag. 582 a 603 do vol. 24 das «Mem. da Academia das Inscripções.»

S 6.°

FACTOS, PRINCIPIOS E ESCLARECIMENTOS, RELATIVOS A FILJAÇÃO DAS LINGUAS,

QUE NÃO PODERÃO TER CABIMENTO NOS PARAGRAPUOS ANTECEDENTES.

E pluribus unum.

Neste S concluiremos o que ha a dizer sobre a filiação da nossa lingua, apresentando destacadamente differentes factos, principios e esclarecimentos, que encontramos nas obras que temos citado, e que não poderão ter cabimento nos SS antecedentes.

Duas particularidades notaveis a respeito da lingua portugueza.- 1." He a mais aproximada do latim do que qualquer outra; 2. Formou-se mais cedo do que nenhuma das linguas meridionaes. ¿Como se explica isto? O author da «Refutação» julga plausivel a seguinte rasão apontada por Sismondi: que provavelmente nas provincias occidentaes ficaram os subdilos romanos em maior numero depois da conquista dos barbaros; porque os barbaros procurárão antes o centro da Hespanha, onde esperavão achar mais riquezas, do que nas costas occidentaes: 0 que he confirmado por Jornandes (de rebus geticis) quando diz a respeito de Attaulfus: Per suas opes Barcilonam cum certis fidelibus delectis plebeque imbelli interiores Hispanias introivit.

Denina apresenta outra explicação: «Le fond de la langue portugaise est autant ou plus latin encore, que celui des autres langues méridionales et même de l'italienne; parce que les peuples du Nord n'ont pas porté dans la Lusitanie autant de leurs mots, qu'ils en ont introduits en France et en Italie, ni les Maures n'y ont pas porté autant de mots arabes, qu'ils en ont laissé en Espagne. Il y reste fort peu de mots de l'ancienne langue, qui devoit être la Celtique ou Celtibérienne. On est étonné de voir la langue vulgaire des romains répandue, établie à une si grande distance, de Rome et du Latium. Il faut supposer que du temps de Viriatus, de Pompée et des premiers empereurs romains, de nombreuses colonies sont allées s'établir dans ce dernier coin de l'Europe, ou que des troupes non moins nombreuses de Lusitains, après avoir été à Rome, ou avoir servi dans les armées romaines, sont retournées dans leur pays, et y ont apporté le langage vulgaire qu'ils y avoient appris.» (La Clef des Langues, part. 4, sect. 1, art. 4.)

Seja, porém, qual før a explicação daquellas duas notaveis particularidades, he certo que são geralmente admittidas como um facto incontestavel.

Tem havido quem estabeleça como intermédia entre a lingua latina e a portugueza a romana ou provençal; isto he, que a lingua portugueza não vem directamente da latina, mas sim da provençal, que se formou da latina.

O author da «Refutação» combateu esta opinião triumphantemente, concedendo todavia que o provençal, romance, ou limosino, teve grande influencia na nossa lingua, depois que os Condes de Provença succederão no condado da Catalunha, e ultimamente no reino de Aragão.

Vejamos o que diz o eloquente M. Villemain (Littérat. du moyen âge) relativamente a todas as linguas derivadas do latim, por occasião de impugnar a theoria de M. Raynouard:

«Vous supposez cette universalité primitive de la langue romane, comme intermédiaire entre le latin et les trois ou quatre langues qui se partagent aujourd'hui l'Europe latine. Les monumens contemporains manquent. Que nous reste-t-il pour discuter? Il nous reste l'état actuel de ces langues. Si une de ces langues est encore maintenant plus près de la langue latine que ne l'est cette langue romane, j'en conclus qu'elle n'a point passé par elle; car les langues ne remontent pas; quand elles ont commencé à s'altérer, elles continuent. Un exemple suffira... Du mot latin tenére, le roman provençal faisait tenia à l'imparfait; l'italien dit teneva. N'est-il pas vraisemblable que teneva est directement venue de tenebat, sans travesser tenia?»

Na «Refutação» cita-se no mesmo sentido, mas com referencia a lingua portugueza, o exemplo de que amava e drvore são mais chegados ao latim do que aimait e aubre do provençal; e de haver este despresado as formas sonoras dos termos romanos, fazendo de aurum, or, -de collum, col,- de versus, vers,—de ferrum, fer etc.

«Si vous prenez, continúa M. Villemain, beaucoup d'autres mots, vous trouverez que, dans les langues espagnole et italienne, ils n'ont subi qu’un léger changement, parce detorla, et se sont conservés plus près du latin que dans la langue romane; ce qui prouve qu'elle ne leur a pas servi de communication et de passage.»

E com effeito, fôra impossivel que nessa lida de alteração e corrupção da formosa lingua latina, trabalhassem todos os povos do meio-dia da Europa, segundo um plano uniforme! Que houvesse concordancia no fim a que se propunhão esses operarios de deconstrucção, ninguem o póde negar, porque todos atiravão ao alvo da simplicidade e da clareza; mas, que houvesse uniformidade nos accidentes das multimodas variações das linguagens que cada povo hia adoptando... eis o que parece inverosimil, se não absurdo.

D'outra sorte viria a ser a lingua provençal a lingua commum da Europa —o que de certo nunca foi, como o observa o Sr. Garrett na Carta escripta aos dois Socios do Conservatorio, que já citámos: «Ellis, o famoso litterato e collector de romances e balladas inglezas, define a lingua romance ou roman ;atodos os dialectos das provincias europeas do imperio, cuja base era o latim vulgar, quaesquer que fossem os outros ingredientes que na mesma composição entrassem. » (Leurs, Essay on the origin of the romance lenguage, 1835). Esta he tambem a opinião de Schlegel contraria a de Raynouard que queria fazer o provençal a lingua comnium da Europa. O que de certo nunca foi.»

Sobre esta questão especial he mister vêr as seguintes obras:
ÉLÉMENTS DE LA GRAMMAIRE DE LA LANGUE ROMANE,

AVANT L'AN 1000, PRÉCÉDÉS DE RECHERCHES SUR L'ORI-
GINE ET LA FORMATION DE CETTE LANGUE. Par M.

Raynouard.-Paris. 1816.
GRAMMAIRE ROMANE, OU GRAMMAIRE DE LA LANGUE DES

TROUBADOURS.-_Par M. Raynouard. - Paris 1816.

CHOIX DES POÉSIES ORIGINALES DES TROUBADOURS. (Pelo

mesmo Author.)
LEXIQUE ROMAN OU DICTIONNAIRE DE LA LANGUE DES

TROUBADOURS, COMPARÉE AVEC LES AUTRES LANGUES DE
L'EUROPE LATINE, PRÉCÉDÉ DE NOUVELLES RECHERCHES
HISTORIQUES ET PHILOLOGIQUES, D'UN RÉSUMÉ DE LA
GRAMMAIRE ROMANE, D'UN NOUVEAU CHOIX DE POÉSIES
ORIGINALES DES TROUBADOURS, ET D'EXTRAITS DE POE-

MES DIVERS. — Par M. Raynouard.- Paris 1838.
COURS DE LITTÉRATURE FRANÇAISE. — LITTÉRATURE DU

MOYEN-AGE, EN FRANCE, EN ITALIE, EN ESPAGNE, ET EN

ANGLETERRE. - Par M. Villemain.- Paris 1830. OBSERVATIONS SUR LA LITTÉRATURE PROVENÇALE.— Par

M. A. W. de Schlegel. (Este erudito escripto vem no interessante livro, que tem por titulo: «Essais LITTÉRAIRES ET HISTORIQUES, par M. A. W. de Schlegel. Bonn.

1842.») Juiso critico sobre a opinião dos que sustentão a origem celtica da nossa lingua. «Admittindo o principio, aliás falso, diz o Sr. A. Herculano (Introd. á Hist. de Port.), de que as filiações das linguagens humanas se devem exclusivamente buscar nas similhanças de syntaxe, e concedido que na realidade se dão grandes differenças de indole entre o portuguez e o latim, a consequencia legitima disso fôra unicamente que deste não proviera aquelle. Para provar, porém, a sua origem celtica, era necessaria mais alguma coisa: devia-se expôr a indole da antiga linguagem dos celtas de Hespanha, e achar as analogias intimas entre essa linguagem e a nossa, e o contraste de ambas com o latim. Eis o que se não fez, e o que he impossivel fazer-se. A hypothese de que o portuguez procede do celtico tem a ruina na base. Essa lingua primitiva passou sem deixar monumentos: o que hoje subsiste he um certo numero de dialectos, que se crêem celticos, mas cuja similhança relativa com o idioma de que procedêrão, ninguem ousaria determinar, tanto mais que entre elles se dão gravissimas differenças. He o ersa, o gaélico, o armorico, ou o welsh o representante mais proximo do antigo celtico? Era esta uma lingua commum a todos os povos da mesma raça, ao menos dos que estanceavão pela Peninsula ? Sobre taes questões apenas se poderão fazer conjecturas mais ou menos arriscadas, e que todavia fòra preciso resolver com clareza de converter a hypothese em these. Isso, porém, repetimo-lo, he impossivel, posto que uma passagem de Strabão (Utuntur et reliqui dispani grammatica, non unius omnes generis: quippe nec eodem quidem sermone), passagem de que aliás os defensores das origens celticas crêrão tirar vantagem, decidiria negativamente a segunda, se por ventura se admittisse que o geographo grego alludia nesse logar a variedades da lingua celtica. Em tal caso importaria determinar de um modo positivo qual dessas linguas diversas, de que se crê que elle falla transfundiu para a da nossa lingua.»

Alatinar as palavras da lingua portugueza.- Sr. S. Luiz disse na sua «Memoria» que os nossos escriptores se deixárão por ventura levar de uma especie de admiração e respeito supersticioso para com os romanos, e talvez assentárão, que era glorioso á lingua portugueza tirar a sua origem de um povo, que subjugára tantos outros, e que em toda a parte fizera temidas as suas armas, e obedecidas as suas leis. Cita as palavras pae e mãe, dizendo que os nossos escriptores quizerão em vão tira-las da sua nativa simplicidade, para lhes dar a forma latina padre e madre; mas que a despeito da innovação systematica, voltárão ao estado, provavelmente primitivo, deixando as formas latinas á linguagem ecclesiastica, aonde ainda se conservão.

«Bem longe de se alalinarem as palavras, responde o author da «Refutação», por innovação systematica, para as aproximar do latim, pelo contrario, he disso precisamente que os nossos fugião. A prova acha-se no cap. 99 do Leal Conselheiro, em que o Sr. D. Duarte entre os preceitos da traducção nos dá o seguinte: Ossegundo que non ponha palauras latinadas, ně doutra lynguagem, mas todo seja nosso lynguagě scripto mais achegadamente ao geeral boo costume de nosso falar que se poder fazer.—Quem isto aconselha, nem elle nem os seguintes authores escreverião constantemente padre e madre se este não fosse o fallar mais achegado ao bom e geral costume, e esta fórma não fosse a primitiva. Que ella o he, não precisa de prova; porque todo o mundo sabe que as nossas palavras procedem regularmente do ablativo latino, e algumas do nominativo, em menor numero. As linguas modernas tem-se aperfeiçoado a medida que tem perdido as fórmas latinas, e a este aperfeiçoamento he que devemos as palavras pae e mãe, e muitas outras mais suaves ou mais harmoniosas do que as primitivas: assim oilo, noite,

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