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indagações sobre o estado de um paiz, desde os tempos os mais remotos, de que possa haver conhecimento, livre lhe será o fazê-lo, e porventura com alguma utilidade, se nesses periodos afastados poder descobrir alguma riqueza litteraria. Assim, por exemplo, em quanto á Historia Litteraria de Portugal, poderá alguem querer adquirir noticias do estado intellectual dos povos que habitárão o nosso paiz, antes do estabelecimento da Monarchia Portugueza, e nas epochas mais remotas de que haja conhecimento. Nesse caso será necessario dividir aquelle vasto periodo nas seguintes epochas:

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1. Até ao tempo em que começou a dominação Romana.
2. Durante a occupação Romana.
3. Desde a entrada dos Povos do Norte até a dos Arabes.
4." Desde a invasão dos Arabes até á fundação da Monar-

chia Portugueza.
Para ser guiado nesse labyrinto tem os seguintes fios:
MEMORIAS DE Antonio Caetano do Amaral para a HISTO-

RIA DA LEGISLAÇÃO, E COSTUMES DE PORTUGAL. (Tomo 1.°, 2.0, 6.0 e 7.o das Memorias da Litteratura Portu

gueza.) Nas eruditas notas das preciosas Memorias de Antonio Caetano do Amaral se encontrão citados os Authores, que podem fornecer noticias sobre o estado das Lettras nas epochas que acima apontámos.

DISSERTAÇÕES DO Padre Antonio Pereira de Figueiredo.

(Tomo 9.o da Historia e Memorias da Academia Real

das Sciencias de Lisboa.)
DE ANTIQUITATIBUS LUSITANIÆ--por André de Resende.
PASCHALIS JOSEPHI MELLII FREIRII... HISTORIÆ JURIS

CIVILIS LUSITANI LIBER SINGULARIS...
ENSAIO SOBRE A HISTORIA DO GOVERNO E DA LEGISLAÇÃO

DE PORTUGAL... - por M. A. Coelho da Rocha. (Nas

quatro primeiras Epochas.) Cumpre, porém, ponderar o seguinte:

Se já um Historiador nosso rejeitou do seu trabalho, como estranha a elle, a historia de todas as raças, ou sociedades, de qualquer parte da Hespanha, anteriores á existencia da nação portugueza como individuo politico, limitando-se ao que he rigorosamente historia de Portugal; ? por força de maior razão a nossa historia litteraria tem o seu natural principio na fundação da Monarchia Portugal, -em quanto que a historia da Litteratura só pode começar no momento em que a Lingua Portugueza estiver formada, e apparecerem n'ella algumas obras, decididamente reveladoras da cultura do espirito.

CAPITULO IV.

DE UMA ESPECIALIDADE IMPORTANTE DA HISTORIA LITTERARIA:

OS ESTABELECIMENTOS SCIENTIFICOS E LITTERARIOS DE PORTUGAL.

NA Historia da Litteratura entra, como parte integrante, a noticia dos principaes Estabelecimentos Scientificos e Litterarios, quer dos creados por Lei, quer dos provenientes de associações entre os amigos das Sciencias e das Lettras.

Este assumpto carece de um certo desenvolvimenio, no que respeita aos subsidios a que deve recorrer-se para conhecer, ou compor esta parte da Historia Litteraria; e por isso me faço cargo

de o tratar neste Capitulo.

Universidade de Coimbra.

Sobre a historia desta Universidade temos, entre outros, os seguintes elementos de informação:

NOTICIAS CHRONOLOGICAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

- pelo Beneficiado Francisco Leitão Ferreira. COMPENDIO HISTORICO DO ESTADO DA UNIVERSIDADE DE

COIMBRA.—1772.

PROVAS DA HISTORIA GENEALOGICA, etc.
MONARCHIA LUSITANA.-P. 6. liv. 16. cap. 57 72 e 73;

e P. 6. liv. 18. cap. 28.

1 Vej. Introd. á Hist. de Portugal do Sr. A. Herculano.

BREVES NOTICIAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA etc.

Lisboa 1819.

ENSAIO SOBRE A HISTORIA DO GOVERNO E DA LEGISLAÇÃO

DE PORTUGAL--por M. A. Coelho da Rocha. PRIMEIRO ENSAIO SOBRE A HISTORIA LITTERARIA DE POR

TUGAL — pelo Sr. Francisco Freire de Carvalho.

Sendo unicamente o meu proposito fazer a resenha dos subsidios que possuimos para o estudo da Litteratura Portugueza, he claro que não me cabe apresentar uma exposição desenvolvida da historia da Universidade. No entanto, para indicar o partido que pode tirar-se dos elementos apontados, e como um meio de encaminhar as investigações, darei, muito em resumo, e a largos traços, uma rapida noticia daquelle estabelecimento.

Foi fundada a Universidade no anno de 1290 em Lisboa; mudada, no reinado de D. Diniz, para Coimbra, no anno de 1308; restituida a Lisboa em 1338; e definitivamente transferida para Coimbra em 1537, no reinado de D. João 3.'Muito elegantemente, e com admiravel concisão, expõe estes factos J. Soares Barbosa no=Epitome Lusitaniæ Historiæ := Primus (Dionysius I) in Lusitania nobilem Academiam instituit apud Olisiponem anno 1308, quæ ab Urbe Conimbricam semel iterumque translata, parens fuit et altrix maximorum ingeniorum.

A Universidade, durante a idade media, seguio inteiramente o theor das outras Universidades daquella epocha; não só assumio o caracter ecclesiastico, mas se denominou Pontificia, e no que toca á sụa organisação, seguio de todo ponto os modelos existentes. «A maneira das da Italia, diz Coelho da Rocha, logo pelos primeiros Estatutos de 1309 forâo concedidos assim aos Professores, como aos alumnos, extraordinarios privilegios. Estes, que então não eram moços de pouca idade, mas pela maior parte homens feitos, formavão a corporação, e elegião dentre si o Reitor. Participando dos costumes feudaes, não só obteve senhoríos de terras, e a Jurisdicção que lhes andava annexa; mas tambem foro privativo para as pessoas e bens, que lhe pertencião.»

A Universidade tinha por esses tempos um mestre de Decretaes, outro de Leis, outro de Medicina, Professores de Dialectica e Grammatica; sendo o ensino da Theologia confiado aos Religiosos de S. Domingos, e de S. Francisco.

Successivamente foi a Universidade tendo novos Estatutos, em differentes reinados, até que em 1537 se estabeleceu definitivamente em Coimbra, e foi reformada por D. João 3.o com Estatutos novos, liberalmente dotada, e enriquecida de creações litterarias e scientificas, bem como de excellentes Professores, nacionaes e estrangeiros.

O que succedeu na Universidade, e a influencia que se attribue aos Jesuitas das alterações de Estatutos, e direcção dos Estudos, durante o periodo que decorre desde o meado do seculo 16 até ao tempo do Marquez de Pombal,- póde ver-se no Compendio Historico, e nos Ensaios de Coelho da Rocha e Sr. Freire de Carvalho.

Em 1770, graças à illustrada influencia do Marquez de Pombal, he creada uma Junta de Providencia Litteraria, composta de varões doutos, á qual forão commettidos os seguintes encargos: Conferir sobre a decadencia, e sobre as ruinas, em que as Artes e Sciencias forão precipitadas na Universidade de Coimbra; examinar as causas dellas; ponderar os meios mais proprios para a restauração dos Estudos publicos; e apontar os Cursos Scientificos, e os Methodos que devião estabelecer-se para realisar a desejada restauração.

Em 28 de Agosto de 1771 apresentou a Junta a El Rei D. José o Compendio Historico, no qual deu conta do estado a que chegárão os Estudos, e em geral as cousas da Universidade, e tornou sensivel a indispensabilidade de uma completa reforma daquelle Estabelecimento. Satisfez logo á 2. parte da sua missão, organisando o famoso Plano de Estudos, denominado-Estatutos da Universidade de Coimbra -que forão confirmados por Carta de roboração de 28 de Agosto de 1772.

Duas novas Faculdades forão creadas, as de Mathematica, e de Philosophia Natural, bem como forão estabelecidos um Observatorio Astronomico, um Museo d'Historia Natural, um Gabinete de Physica, um Laboratorio Chimico, e um Jardim Botanico.

Obrigado a correr veloz, he força ommittir o juizo que deve formar-se sobre o merecimento de todos aquelles trabalhos, estabelecimentos e reformas. Nos referidos Ensaios, na Legislação do reinado d'El Rei D. José, na Oração de Joaquim José de Miranda Rebello (impressa em Lisboa na Regia Officina em 1773), e em outros escriptos se encontrão os sufficientes elementos de informação,

O immortal Ministro de D. José foi pessoalmente dar execução ás novas providencias em Coimbra, com poderes extraordinarios de Tenente Rei. No Instituto, Jornal Scientifico e Litterario de Coimbra, publicou o Sr. J. M. de Abreu o Diario do , que se passou na referida Universidade, quando a ella foi em Setembro do anno de 1772 9 Marquez de Pombal para aquelle fim.

Para a Historia da Universidade, no periodo que decorre desde 1772, encontrão-se elementos na Legislação, e em diversos documentos dos nossos dias, que estão ao alcance de todos,

Universidade de Evora.

Para a historia da Universidade de Evora são excellentes subsidios:

Evora GLORIOSA.— A paginas 416, n.° 723, começa a

noticia acerca da referida Universidade, e dos Collegios

annexos á mesma. MEMORIAS D'ELREI D. SEBASTIÃO- Machado-P. 1. Liv.

1. Cap. 9. BIBLIOTHECA LUSITANA — Palavras: D. Henrique 17. Mo

narcha, e Collegio de Evora da Companhia de Jesus. ENSAIO SOBRE A HISTORIA DO GOVERNO E DA LEGISLAÇÃO

DE PORTUGAL --já citada neste Capitulo. Dá uma bre-
vissima noticia a respeito da Universidade de Evora no

Artigo 8.°, S 283.
PRIMEIRO ENSAIO SOBRE A HISTORIA LITTERARIA DE POR-

TUGAL — já citado neste Capitulo. A pag. 122 e 123
dá o sr. Freire de Carvalho algumas breves noticias so-

bre a Universidade de Evora. A Universidade de Evora foi fundada no anno de 1558 pelo Cardeal Infante D. Henrique, obtendo, quando Regente do Reino, elevar aquella cathegoria o Collegio que ali creára. Lião-se naquella Universidade tres Cadeiras de Theologia Escholastica, uma de Positiva, duas de Moral, quatro de Philosophia, duas de Rhetorica, duas de Humanidades, e duas de primeiras lettras.

O Cardeal D. Henrique havia fundado em 1651 o Collegio

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