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los, tem sido publicado sobre estes diversos assumptos, he indicado com a mais escrupulosa exactidão na Bibliographia Historica Portugueza.

Não comportava a natureza especial deste trabalho que o incansavel Compilador apresentasse noticias biographicas dos authores, nem juizos criticos sobre o merecimento das obras; mas em compensação, o Catalogo do Sr. Figanière guia os leitores ás fontes historicas, onde podem encontrar instrucção sobre os diversos assumptos relativos ao nosso paiz.

O Sr. Figanière deu todo o cunho de authenticidade ao seu Livro, asseverando que consultára nos proprios exemplares impressos todas as obras e edições de que dá noticia no Catalogo.

Esperamos que o laborioso author continuará successivamente a dar noticia do que fôr apparecendo no ramo bibliographico-historico, e completará a sua obra, formando o catalogo dos Historiadores Portuguezes, que escrevêrão em latim e castelhano.

Honra e louvores ao Sr. Figanière pelo seu interessante trabalho!

Trabalhos de Diplomatica em Portugal.

DISSERTAÇÃO X. Contendo os Prolegomenos das Instituições

da Diplomatica Portugueza. Tomo 4.°, P. 1.“, pag. 1, das Dissertações Chronologicas e Criticas... de João Pe

dro Ribeiro. Julgo interessante para a Historia Litteraria de Portugal o conhecimento dos Litteratos Portuguezes, que se têem occupado de trabalhos de Diplomatica, e do maior ou menor grao de credito que merecem, e conceito de que gosão.

Como escrevo para mocidade estudiosa, julgo indispensavel dar, muito em resumo, algumas definições relativas a Diplomatica, guiando-me pela Dissertação que acima indico; e depois apresentarei um Catalogo dos Litteratos Portuguezes que se occupárão de Diplomatica.

Diplomatica he a Sciencia que nos ensina a avaliar com exactidão os antigos Diplomas, distinguindo os verdadeiros dos falsos, ou duvidosos.

A palavra Diploma he consagrada entre os Diplomaticos para significar os Documentos publicos, e com especialidade os Reaes, pois que aos outros, igualmente publicos, denominão Charlas.

Scientificamente fallando, uma columna, uma pyramide, um marco, um arco triumphal - denominão-se Memorias; os Monumentos, e os Documentos são acompanhados de lettras, mas distinguem-se entre si, porque os primeiros são de metaes, de pedras, ou de lenhos, -e os segundos, os pergaminhos e o papel.

Os Monumentos dividem-se em Moedas, Medalhas, e Inscripções; dando assim logar a tres sciencias, a Numaria, a Numismatica, e a Lapidaria.

Os Documentos são designados vulgarmente pelos nomes de Codices ou Manuscriptos.

Os Documentos são particulares, quando não feitos officialmente por pessoa publica; são publicos, quando exarados officialmente por pessoa publica, e especialmente se chamão Diplomas, quando nelles intervêm a assignatura ou firma do Soberano, ou ao menos a sua immediata authoridade, reservando-se o nome de Charta para os outros.

A Diplomatica applica aos Documentos publicos os principios da Critica e da Hermeneutica; tendo aliàs alguns principios seus, e proprios do seu objecto.

A Paleographia he aquella parte da Diplomatica, que pelo caracter, ou letra, em que se achão escriptos os Documentos antigos, nos ensina a julgar da sua idade e veracidade, e ainda a determinar o territorio ou nação, a que pertencem.

Postas estas breves definições, darei agora o Catalogo dos Litteratos Portuguezes, antigos, que João Pedro Ribeiro menciona na Dissertação x supra-citada:

No reinado de D. Diniz fez uso, com admiravel circumspecção e

destreza, dos principios da Diplomatica, o-Procurador Re

gio Domingos Paez. Igual pericia se mostra dos Enqueredores de D. Affonso 3.° e 4.0 Brito, Fr. Antonio, e Fr. Francisco Brandão, e Fr. Manoel dos

Santos recorrerão amplamente aos Cartorios. Mas o mesmo Brito, D. Nicolao de Santa Maria, e Fr. Antonio

da Purificação, apresentárão muitos documentos de sua fabrica, sendo reconhecida já a sua má fé, bem como a de

Higuera, e Gaspar Alvez Louzada. Os Chronistas dos Benedictinos forão destituidos dos bons prin

cipios da Critica; não assim, porém, o Chronista dos Franciscanos, Fr. Manoel da Esperança, ao qual não se pode negar critica, boa fé, e exactidão.

Entre os Portuguezes, que manejárão e examinárão Cartorios,

menciona depois João Pedro Ribeiro os seguintes: Gaspar Estaço, o Doutor João de Barros (diverso do Author das Decadas), os Benedictinos Fr. João Chrysostomo, Fr. Manoel da Conceição, e Fr. Antonio da Soledade; os Conegos Regrantes D. Vicente de Jesus, e D. José de Christo,

e mais do que todos D. Bernardo da Encarnação. No reinado de D. João 5.', o estabelecimento da Academia Real

da Historia Portugueza deu logar a que muito se trabaThasse sobre os nossos Cartorios. Alguns dos socios extractárão, ou publicárão documentos com pouca exactidão. Em uma nota adverte João Pedro Ribeiro algumas inexactidões de José Soares da Silva, e de D. Antonio Caetano de

Sousa. No reinado de D. José promoveu o grande Cenaculo o estudo

da Diplomatica. Em 1775 foi estabelecida no Real Archivo uma Cadeira de Paleographia, com o titulo de Orthographia Diplomatica (esta não chegou a durar um anno). O mesmo Cenaculo tinha feito reimprimir no anno de 1773

o Methodo Diplomatico. Em 1792 imprimio no Porto Fr. José Pedro da Transfiguração

uma Dissertação, ou Breve Tratado, sobre algumas regras mais necessarias da Hermeneutica e Diplomatica. (He um extracto do Methodo Diplomatico, juntamente com as re

gras da Diplomatica.) Já em 1787 Fr. Francisco de Jesus Clootz Wanzeller, em umas

Theses de Criterio Veritatis inserira 12 relativas a Diplo

matica. Em 1797 publicou José Anastacio da Costa e Sá os Elementos

de Diplomatica. (Quasi toda esta pequena obra versa so

bre a nomenclatura da Diplomatica.) « Merecem particular menção como benemeritos da Sciencia Di

plomatica José Anastacio de Figueiredo, Official da Secretaria de Estado dos Negocios do Reino, que chegou a ser nomeado Substituto da Cadeira de Diplomatica, cujos trabalhos ferreos, e eruditas Obras são bem conhecidas. Fr. Joaquim de Santo Agostinho Brito França Galvão, Eremita de St.° Agostinho, e hoje Freire de Aviz, e Abbade de Lostoza. Fr. Joaquim de St. Rosa de Viterbo, Menor Observante Reformado da Provincia da Conceição, A. do Elucidario da Lingua Portugueza. »

Por Carta Regia de 6 de Janeiro de 1796 foi creada uma Ca

deira de Diplomatica na Universidade de Coimbra, de que foi Lente João Pedro Ribeiro; a qual foi transferida para Lisboa em 1801, e regulada por Alvará de 21 de Fevereiro do mesmo anno.

Dos Chronistas das Ordens Religiosas de Portagal, que fornecem

alguns subsidios para a Ilistoria Litteraria.

HISTORIA SERAFICA CHRONOLOGICA DE S. FRANCISCO NA PROVINCIA DE PORTUGAL— por Fr. Fernando da Soledade. (Edições successivas—1705. 1709. 1721. 1735.)

Dá noticia dos Religiosos Menores da Provincia de Portugal, que se tornárão mais notaveis nas Lettras.

IMAGEM DA VIRTUDE EM O NOVICIADO DA COMPANHIA DE JESUS DO REAL COLLEGIO DO ESPIRITO SANTO DE EVORA DE LISBOA -DE COIMBRA - 1714 a 1719-4 vol.

SYNOPSIS ANNALIUM SOCIETATIS JESU IN LUSITANIA AB

ANNO 1540 USQUE AD ANNUM 1725. — 1726. fol.— pelo

P. Antonio Franco, da Companhia de Jesus. Na Imagem da Virtude vem o catalogo dos Escriptores Jesuitas, que professárão nos Noviciados de Evora, Lisboa, e Coimbra.

Na Synopsis vem um Indice das materias de que tratárão os Escriptores Jesuitas da Provincia de Portugal, desde o principio da Sociedade até ao anno de 1724.

Evora GLORIOSA. (Já mencionamos esta obra, e particularisámos o catalogo que o author apresenta com o titulo de Bibliotheca Eborense Academica.)

MEMORIAS HISTORICAS DOS ESCRITORES PORTUGUEZES DA ORDEM DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA PROVINCIA DE PORTUGAL, REDUZIDAS A CATHALOGO ALPIIABETICO. 1724pelo P. Fr. Manoel de .

Barbosa Machado louva o author pelo exame critico, e summo desvélo, com que se houve na composição das Memorias.

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CLAUSTRO DOMINICANO. Lanço 1.0 a 4.° — (Ed. 1729 a 1734.) —por Fr. Pedro Monteiro.

No Lanço 3.o traz a noticia dos Lentes da Ordem dos Prégadores, que lërão na Universidade de Coimbra; dos Religiosos que se consagrárão ás Letiras, e obtiverão gráos na Universidade e nos Conventos; dos Escriptores que na mesma Ordem houve, etc.

Barbosa Machado faz deste Chronista um juizo menos favoravel, do que a respeito de Fr. Manoel de Sá.

-NOTICIA BREVE EM COMMUM DOS ESCRITORES DA ORDEM DE S. DOMINGOS, NESTA PROVINCIA DE PORTUGAL. (S. Domingos) — Appendix á 4. Parte da Historia de S. Domingos, continuação do inimitavel Fr. Luiz de Sousa — por Fr. Lucas de Santa Catharina.

Esta noticia he um resumo do Theatro Litterario, que escreveu Fr. Pedro Monteiro no Claustro Dominicano. -Flos SANCTORUM AUGUSTINIANORUM - por Fr. Manoel de

Figueiredo, Eremita de St.° Agostinho, e Chronista da sua Religião. 1737.

Na 4, Parte dessa obra vê-se o Cathalogo dos Lentes PuBlicos, e Doutores da Universidade de Coimbra que florecerão no seu Collegio da mesma Cidade.

-CATHALOGO DOS ESCRITORES DA MONASTICA CONGREGAÇÃO DE S. BENTO DO REYNO DE PORTUGAL — por Fr. Cypriano de Mendonça.

Vem, traduzido em Castelhano, na Perla da Cataluña de Fr. Gregorio de Argaiz, Chronista Geral da Ordem Benedictina. « Nó he puesto mas cuidado, diz este, que el traduzirlo de Porlugues en Castellano. »

CHRONICA DA ANTIQUISSIMA PROVINCIA DE PORTUGAL DA ORDEM DOS EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO BISPO DE HiPONIA, E PRINCIPAL DOUTOR DA IGREJA. - 1642. 1656.por Fr. Antonio da Purificação.

DE VIRIS ILLUSTRIBUS ANTIQUISSIMÆ PROVINCIÆ LUSITANÆ ORDINIS EREMITARUM S. PATRIARCHE AURELII AUGUSTINI HIPPONENSIS EPISCOPI, ET ECCLESIÆ DOCTORIS LIBRI TRES. - Lisboa 1612--por Fr. Antonio da Purificação.

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