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INDICE.

Pag.

TITULO 1.- PRINCIPIOS GERAES SOBRE A LITTERATURA.

1

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1

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Capitulo 1.0—0 que he a Litteratura, sua importancia, e al

а cance CAP. 2.°– Ramos dos conhecimentos humanos, que constitúem

a Litteratura; missão desta, e indicação geral do seu estado

em Portugal.. TITULO II.--Historia LITTERARIA

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13

Cap. 1.–O que se entende por Historia Litteraria. Principia

a resenha dos subsidios que possuimos para a Historia da Lit- 13

teratura Portugueza.. CAP. 2.- Continuação dos subsidios que possuimos para a Historia da Litteratura Portugueza....

51 CAP. 3. - Continuação da resenha dos subsidios para a Historia da Litteratura Portugueza.

72 CAP. 4.'— De uma especialidade importante da Historia Litte

raria: Estabelecimentos Scientificos e Litterarios de Portugal. 128

TITULO III.-LINGUISTICA

178

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CAP. 1.'—Excellencias da Lingua Portugueza

178 CAP. 2.- Louvores que a Lingua Portugueza tem merecido 182 CAP. 3.— Independencia da Lingua Portugueza

194 CAP. 4.-Filiação da Lingua Portugueza.

199 $ 1.- Authores que pugnão pela filiação latina. 199 $ 2.-- Authores que impugnào a filiação latina.

206 § 3.'— Argumentos de cada uma das opiniões.

207 4.- Considerações ethnographicas, com referencia á filiação da Lingua Portugueza.

222 8 5. -Theoria geral da filiação das Linguas, e sua applicação á Lingua Portugueza.

237 $ 6.°— Factos, principios e esclarecimentos, que não

poderão ter cạbimento nos ss antecedentes. . 252 Cap. 5.0—Da herança de vocabulos e phrases que a Lingua Portugueza recebeu das Linguas Arabica, Orientaes e Africanas. 266

e CAP. 6.'--Gallicismos.

277 CAP. 7.-Synonimos.

288 CAP. 8.'— Diversos trabalhos philologicos sobre a Lingua Portugueza ....

299

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XII

N. B. Desejando procurar aos leitores a maior commodidade, tenho por conveniente fazer aqui as seguintes declarações:

1.4 Todas as Memorias que menciono no corpo desta obra, sem particularisar o Livro ou documento em que se encontrão, estão insertas-ou na Collecção das Memorias de Litteratura, publicadas pela Academia Real das Sciencias de Lisboa; -ou na Collecção da Historia e Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa.

2.- Por quanto o Capitulo 3.o do Titulo 2.o desta Obra envolve uma grande variedade de assumptos da Historia Litteraria, darei aqui um Indice especial desse Capitulo:

Pag. Memorias e Livros avulsos..

72 Subsidios que podem fornecer para a Hist. Litt. as Vidas, Elogios e Biographias de Authores, e Jornaes Litterarios

90 Authores Portuguezes, em cujas Obras se encontrão accidental

mente noticias para a Hist. Litt. de Portugal. Escriptos Bibliographicos..

102 Trabalhos de Diplomatica.

117 Chronistas das Ordens Religiosas de Portu al, que fornecem alguns subsidios para a Hist. Litt... ..

120 De alguns Escriptos Ineditos sobre a Hist. Litt. de Portugal. 123 Dos Portuguezes benemeritos, que nas Universidades estrangeiras regèrão Cadeiras de ensino publico ...,

126 Hist. Litt. de Portugal, anterior ao estabelecimento da Monarchia .

126

93

3.40 Capitulo 1.o do mesmo Titulo 2. comprehende diversos estabelecimentos Scientificos e litterarios, e por isso darei aqui um Indice especial desse Capitulo:

Pag. Universidade de Coimbra.

128 Universidade de Evora..

131 Academia Real da Historia Portugueza

132 Academia Real das Sciencias de Lisboa..

138 Arcadia de Lisboa .

141 'Academia dos Generosos

144 Academia dos Singulares.

145 Academia dos Anonymos.

148 Academia Instantanea

149 Bibliothecas. ....

151 Torre do Tombo..

157 Imprensa Nacional.

159 Organisação actual dos Estudos em Portugal.

163

Os outros Capitulos, e ss não carecem de Indice especial.

TITULO I.

PRINCIPIOS GERAES SOBRE A LITTERATURA.

CAPITULO 1.

O QUE HE A LITTERATURA, SUA IMPORTANCIA, E ALCANCE.

La science, c'est l'expression de l'intelligence divine. L'ouvre littéraire, c'est l'expression de l'intelligence humaine. Du premier ordre nous voyons sortir ces âmes privilégiées qui sur la terre portent le nom de Platon, Fénélon, Descartes, Rousseau, Bernardin de Saint-Pierre, lorsqu'ils expriment les lois morales de l'humanité, et le nom de Copernic, Képler, Galilée, Newton, Herschel, lorsqu'ils découvrent les lois physiques de la nature.—Au second ordre appartiennent les fortes intelligences, les âmes poétiques qui comme Homère, Sophocle, Euripide, le Dante, le Tasse, Corneille, Shakspeare, impriment à la société les formes de leur énie, et reçoivent de la nature la beauté de leurs conceptions.

A. M.-- Plan d'une Bibl.

pessoas

¿A LITTERATURA he acaso, professada entre nós, como uma Faculdade, isto he, como um corpo de Sciencia, que tem differentes ramos, differentes disciplinas, á similhança da Jurisprudencia, da Mathematica, da Medicina?

¿Exigem a natureza das cousas, e a conveniencia geral, que n'este sentido seja ella professada ?

Eis as questões que pretendo submetter ao exame das pes competentes.

Em um paiz, e n'uma epocha em que apparecem Francisco Dias Gomes, Antonio das Neves Pereira, Fr. Francisco de S. Luiz, Trigoso, os Garretts, os Herculanos, os Castilhos, e toda essa brilhante phalange de mancebos esperançosos, cujos nomes he desnecessario mencionar, porque assaz conhecidos e admirados são elles, pelas notaveis producções com que vão enriquecendo as lettras, e grangeando renome á nossa terra; em um paiz, digo, n'uma epocha, em que tão illustres Litteratos se apresentão, parece um paradoxo o julgar necessario tratar taes questões.

e

Mas esses grandes luminares são uma excepção feliz, são astros que girão solitarios na immensidade do espaço, --são uma demonstração viva do talento com que a natureza fadou os nossos conterraneos;— mas nem o seu elevado engenho, nem os seus magnificos escriptos podem, em boa logica, fornecer argumento para asseverar que em Portugal se dá á Litteratura a importancia que

ella tem essencialmente, e muito menos que ella seja professada com a extensão, amplitude, e desenvolvimento que lhe cabem.

E não se pense tão pouco que eu desconheço a excellencia de um certo numero de Memorias de Litteratura, que, por boa fortuna, tantos sabios Portuguezes teem escripto. Serão sempre apreciadas e lidas com grande proveito essas Memorias, que dão testemunho do mais apurado gosto, de judiciosa critica, de uma vasta erudição. Assim, por exemplo, se quizermos saber com todo o fundamento, e com solido conhecimento, assente em seguras bases, o que de mais averiguado póde admittir-se, e asseverar-se acerca do nosso immortal Camões, será indispensavel lêr com séria attenção o que a respeito da vida e obras do grande author dos Lusiadas escreverão o douto Bispo de Viseu, e outros Litteratos dos nossos tempos. E ainda mais do que fonte de bons conhecimentos devemos encarar essas preciosas Memorias que possuimos; entendo até que as podemos considerar como excellentes modelos no vasto campo da Litteratura, não só em quanto a critica, mas tambem no que toca á linguistica, á philologia, á oratoria etc.

Mas de tudo isto a um corpo systematico de doutrina, à um professorato cabal de Litteratura entre nós, vae uma distancia incommensuravel. Entre o que possuimos, e o de que precisamos indispensavelmente, ha um vacuo immenso que convém encher, ainda á custa dos maiores sacrificios. Entre as exigencias da natureza das cousas e o estado dos estudos, do ensino, dos elementos, que entre nós existem, medeia um vasto deserto, que a todo o custo devemos reduzir a cultura e tornar habitavel.

A Litteratura propõe-se essencialmente a apresentar-nos um quadro vivo do homem, tal qual elle he em geral, e em particular, isto he, antes e depois de receber as impressões profundas do clima, das leis, dos diversos estados da civilisação, e de circumstancias mil que o modificão.

Este simples enunciado basta para nos habilitar a fazer uma resenha dos elementos que constituem a Litteratura. E com effeito, o Litterato deve possuir o conhecimento da linguagem com todo o cortejo immenso das questões ethnographicas; da Epopéa heroica, e comica; da Tragedia, e da Comedia; das differentes especies de satyras, contos, fabulas, romances; dos Tralados dos Moralistas; da historia antiga e moderna; da cloquencia, applicada ás differentes especies de composição, e a cada scena particular do drama da vida humana; da arte de pensar, que chama a razão em soccorro da faculdade inventiva, e gera a hermeneutica e a critica para entender e julgar as obras dos outros.

E se este enunciado a priori, inteiramente deduzido da theoria, não satisfaz de todo ponto o nosso espirito, recorråmos á parte prática da sciencia, e por certo que a nossa convicção ficará assente em solidas bases. Lancemos um rapido olhar sobre os escriptores mais notaveis da Litteratura antiga e moderna-e desde logo conheceremos que todos esses elementos, que acabo de mencionar, entrão essencialmente na constituição organica, se assim posso dizer, da Litteratura. Entre os Gregos, encontramos Pithagoras, Eschylo, Sophocles, Euripides, Aristophanes, Platão, Socrates, Xenophonte, Epitecto, Epicuro, Theophrasto, o Portico, a Academia, Plutarcho, Luciano; entre os Romanos: Lucrecio, Cicero, Tito Livio, Virgilio, Ovidio, Phedro, Seneca, Tacito;— entre os modernos: Shakspeare, Milton, Pope, -Dante, Ariosto, Machiavello, — Montaigne, Labruyère, La Rochefoucault, Pascal, Bossuet, Fénélon, Massillon, La Fontaine, Molière, - Fielding, Richardson, Le Sage, Jean Jacques Rousseau, -Barros, Sá de Miranda, Camões, Vieira, etc. etc. etc.

Lendo os immortaes escriptos, as admiraveis producções de todos esses sublimes genios, e de outros, que fôra longo enumerar, acaso não vemos que elles estudárão e explicarão o homem, tanto na sua essencia e generalidade, como na especialidade dos diversos gráos da civilisação? Não vemos que elles explorarão as minas riquissimas da Litteratura nas diversas regiões da Poesia, da Eloquencia, da Moral, da Historia, da Philosophia e da Critica? E será possivel seguir aquellas aguias em seus vôos altivos, sem adquirir primeiramente a força e destreza, que se tornão indispensaveis para nos arremessarmos ao espaço? Será possivel fazer progressos em uma sciencia que se apresenta com todos os caracteres e titulos de verdadeiramente tal, sem que um systema largo de ensino habilite previamente os que pretendem entrar no sanctuario?

Na serie d'esses escriptos, aliàs tão variados, tão diversos nas fórmas, nos objectos, e no fim, como separados no tempo, existe

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